Professor Fabrício Lopes aponta as qualidades do bom instrutor: curiosidade, empatia e respeito — Federação de Jiu-Jitsu
Técnica & Treino

Professor Fabrício Lopes aponta as qualidades do bom instrutor: curiosidade, empatia e respeito — Federação de Jiu-Jitsu, Brazilian Jiu-Jitsu Federation

GRACIEMAG 12/06/2026

Segundo a GRACIEMAG, o professor Fabrício Lopes, faixa-preta formado na Gracie Barra, tem dedicado sua carreira a preparar instrutores e ajudá-los a transmitir o Jiu-Jitsu com máxima clareza. Em entrevista ao GRACIEMAG.com, o especialista em mentoria compartilhou suas reflexões s...

Federação de Jiu-Jitsu: Segundo a GRACIEMAG, o professor Fabrício Lopes, faixa-preta formado na Gracie Barra, tem dedicado sua carreira a preparar instrutores e ajudá-los a transmitir o Jiu-Jitsu com máxima clareza. Em entrevista ao GRACIEMAG.com, o especialista em mentoria compartilhou suas reflexões sobre a nova geração de professores que surge em academias por todo o mundo.

Para Lopes, o principal desafio do setor é compreender que ser um praticante habilidoso e ser um bom instrutor são competências completamente distintas. Segundo ele, a proficiência técnica não garante a capacidade de ensinar, pois a docência exige comunicação, observação, paciência, liderança e flexibilidade para atender diferentes perfis de alunos. Executar uma técnica com perfeição não é o mesmo que conseguir explicá-la de um jeito que outros possam entender e reproduzir.

O professor aponta ainda que a abundância de informação na internet representa outro desafio para os instrutores mais jovens. Hoje qualquer pessoa acessa tutoriais online com facilidade, e o verdadeiro papel do mentor é ajudar os futuros professores a organizar esse conhecimento, compreender os princípios fundamentais e transmiti-los com eficácia. Ensinar, reforça Lopes, não é exibir o próprio saber, mas sim facilitar o aprendizado alheio.

Ao comparar o cenário atual com o de dez anos atrás, Fabrício observa que a formação de instrutores ganhou estrutura. Antigamente, o desenvolvimento acontecia quase que exclusivamente pela observação e pela experiência acumulada no tatame. Hoje, diversas organizações contam com programas formais, recursos educacionais e sistemas voltados ao aprimoramento das habilidades pedagógicas. Além disso, os alunos contemporâneos chegam às aulas esperando mais explicações e uma compreensão mais profunda do porquê de cada técnica funcionar.

Diante dessa realidade, Lopes destaca que o instrutor moderno precisa saber se comunicar com crianças, adultos, competidores, praticantes recreativos e pessoas das mais variadas origens. O domínio técnico continua sendo indispensável, mas comunicação e liderança tornaram-se atributos igualmente essenciais.

Ao identificar jovens com potencial para a carreira docente, o professor revela que a primeira característica que observa é a curiosidade. Aqueles que fazem perguntas, prestam atenção aos detalhes e buscam genuinamente entender a arte, em vez de simplesmente acumular técnicas, costumam se destacar. Humildade e consistência também pesam bastante na avaliação, pois ensinar é uma responsabilidade de longo prazo, e alguém confiável e disposto a continuar aprendendo tende a ter mais potencial do que alguém apenas talentoso.

A empatia aparece como outro atributo fundamental. Os melhores instrutores, segundo Lopes, se alegram genuinamente com o progresso dos alunos e têm prazer em ver o sucesso do próximo. A habilidade técnica pode ser aperfeiçoada ao longo do tempo, mas caráter, paciência e vontade de servir são sinais mais sólidos de potencial pedagógico.

O princípio mais importante que Fabrício procura transmitir aos futuros instrutores é que o ensino deve girar em torno do aluno, não do professor. Instrutores iniciantes frequentemente se concentram em demonstrar o próprio conhecimento, enquanto os realmente excelentes focam em tornar a informação acessível a quem está à sua frente. Ele incentiva os formandos a desenvolverem a capacidade de observar, ouvir e se adaptar, pois cada aluno aprende de forma diferente. O objetivo, conclui, não é criar dependência, mas formar pensadores independentes capazes de, futuramente, ajudar outras pessoas.

Sobre os erros históricos na formação de instrutores, Lopes aponta que por muito tempo vigorou a crença de que a excelência técnica gerava automaticamente excelência no ensino. Gerações anteriores aprendiam principalmente por imitação, repetindo os métodos de seus mestres. Embora essa abordagem tenha formado muitos praticantes de alto nível, frequentemente deixava lacunas na comunicação e no desenvolvimento pedagógico. Esperava-se que os alunos simplesmente descobrissem as coisas por conta própria com o passar do tempo.

Hoje, a compreensão é outra: o ensino é uma habilidade que precisa ser desenvolvida de forma intencional. Os melhores instrutores sabem preservar as tradições, os valores e os padrões técnicos do Jiu-Jitsu Brasileiro, mas também reconhecem a importância da comunicação, da mentoria e do aprendizado estruturado. Para Fabrício Lopes, o futuro da arte depende não apenas da formação de melhores atletas, mas, sobretudo, de melhores professores.

Fonte: GRACIEMAG — leia o original

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