De la Riva
Back Take da De la Riva
Nem todo mundo quer (ou consegue) girar o corpo inteiro em um berimbolo — e para esses casos existe o back take direto da guarda De la Riva, uma transição mais enxuta que leva às costas do adversário sem rolamento invertido completo. Faixa Roxa, dificuldade alta, e parte essencial do jogo de guarda De la Riva moderno.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O back take da De la Riva é a transição em que o atacante, a partir do gancho de De la Riva, troca o quadril para o lado e "sobe" diretamente para trás do adversário, sem executar o rolamento invertido completo característico do berimbolo. É uma rota mais direta para o mesmo destino — as costas do adversário — e costuma ser a opção preferida de quem busca menos exposição durante a transição, trocando a inversão total por um giro de quadril mais controlado e mais rápido de recuperar caso algo dê errado no meio do caminho.
A técnica se desenvolveu lado a lado com o próprio berimbolo, como parte da mesma onda de evolução do jogo de guarda De la Riva a partir do fim dos anos 2000: enquanto uma parte da nova geração de competidores explorava o rolamento invertido completo, outra parte da mesma geração de atletas refinava versões mais econômicas da transição, sem a inversão total, buscando o mesmo resultado com menor risco de exposição da coluna e do pescoço durante o movimento. Hoje as duas variantes convivem no repertório de qualquer competidor que joga a guarda De la Riva em alto nível, sendo escolhidas conforme a reação específica do adversário em cada troca.
É indicado quando o adversário, ao sentir o gancho de De la Riva, tenta se afastar recuando o quadril em vez de avançar — esse recuo cria justamente o espaço lateral que o atacante usa para girar o próprio corpo e alcançar as costas sem precisar inverter completamente. Pela regra IBJJF vigente, o controle de costas consolidado vale 4 pontos, um dos valores mais altos do sistema de pontuação, o que faz dessa transição uma prioridade tática em qualquer nível competitivo.
Como aplicar
Gancho e controle de manga
Estabeleça o gancho de De la Riva na perna do adversário e controle a manga ou o pulso do lado oposto, criando uma linha de tensão diagonal entre os dois pontos de controle.
Desequilíbrio lateral
Puxe a perna controlada para o lado, forçando o adversário a recuar o quadril ou apoiar peso de forma desigual — é esse recuo que abre o espaço lateral necessário para a troca.
Troca de quadril
Em vez de rolar o corpo por baixo, gire o próprio quadril na direção do desequilíbrio, "andando" com o corpo pelo lado que se abriu, mantendo o gancho de De la Riva ativo até o último instante possível.
Underhook na perna livre
Ao chegar ao lado do adversário, passe um braço por baixo da perna livre dele, prendendo-a e impedindo que ele se vire de frente novamente durante a transição.
Subida para as costas
Suba o corpo em direção às costas do adversário, mantendo o quadril colado ao dele, e busque o cinturão (seatbelt grip) — um braço por cima do ombro e outro por baixo do braço, mãos unidas no peito.
Primeiro gancho
Com o cinturão seguro, introduza o primeiro gancho entre as pernas do adversário, sem soltar a pegada de costas, ajustando o quadril para ficar colado e reduzir o espaço de fuga dele.
Segundo gancho e consolidação
Complete o controle introduzindo o segundo gancho, achatando o adversário ligeiramente para o lado para evitar que ele gire de volta para dentro da sua guarda antes que o controle esteja consolidado.
Erros comuns
- Soltar o gancho de De la Riva cedo demais, antes que o quadril termine a troca, dando ao adversário a chance de se virar de frente novamente.
- Subir para as costas sem primeiro isolar a perna livre do adversário com o underhook, permitindo que ele use essa perna para girar de volta.
- Buscar os ganchos antes de garantir o cinturão, o que costuma resultar em uma pegada de costas fraca e fácil de desmontar.
- Forçar a transição mesmo quando o adversário não recuou o quadril o suficiente, entregando a iniciativa para ele contra-atacar.
- Introduzir os dois ganchos ao mesmo tempo, em vez de um de cada vez, perdendo estabilidade durante o processo.
Segurança
Variações e encadeamentos
O back take da De la Riva costuma ser tratado como a "versão B" da entrada do berimbolo: muitos competidores decidem em tempo real, no meio da tentativa, se vão completar a inversão total ou se vão preferir a troca de quadril mais direta — a escolha depende de como exatamente o adversário reage ao desequilíbrio inicial. Quando o adversário resiste à troca de quadril empurrando o corpo de volta para o centro, é comum que o atacante abandone a tentativa direta de costas e finalize simplesmente com uma raspagem, aproveitando o desequilíbrio já criado. Já quando a transição para as costas é bem-sucedida, a sequência natural seguinte passa a ser a busca por estrangulamentos como o mata-leão, aproveitando o controle total que a posição de costas garante sobre a movimentação do adversário.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre esse back take e o berimbolo?
O berimbolo envolve um rolamento invertido completo do corpo do atacante por baixo do adversário. O back take direto da De la Riva chega ao mesmo destino — as costas — trocando o quadril lateralmente, sem a inversão total, geralmente com menos exposição da coluna durante o movimento.
Preciso saber berimbolo antes de aprender esse back take?
Não necessariamente, mas ambos compartilham a mesma base de guarda De la Riva e o mesmo princípio de desequilibrar o adversário antes da transição — por isso costumam ser ensinados na mesma fase de evolução do jogo de guarda aberta, geralmente a partir da Faixa Roxa.
Por que chegar às costas é tão valorizado no Jiu-Jitsu competitivo?
Porque é a posição de maior controle sobre o adversário e a que mais oferece opções diretas de finalização por estrangulamento. Pela regra IBJJF vigente, o controle de costas com ganchos vale 4 pontos, um dos valores mais altos do sistema de pontuação.
Esse back take funciona tanto no gi quanto no no-gi?
Sim — o princípio de desequilíbrio, troca de quadril e busca do cinturão funciona em ambos os formatos, embora os pontos de pegada (mangas, punhos ou pulsos) mudem dependendo de haver ou não kimono para segurar.
Fontes
- [1] BJJ Heroes — enciclopédia de técnicas e biografias do Jiu-Jitsu — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
- [2] Brazilian jiu-jitsu — história e desenvolvimento técnico da arte — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (pontuação e critérios oficiais) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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