De La Riva Reversa
Berimbolo Reverso (RDLR to Back)
Enquanto a entrada clássica de berimbolo parte da De La Riva frontal, o Berimbolo Reverso já começa com o corpo invertido na RDLR, exigindo apenas o giro final para alcançar as costas. Uma técnica de assinatura da geração competitiva que os irmãos Mendes e Miyao ajudaram a consolidar. Faixa Roxa, dificuldade 5 — a mais avançada das nove guardas deste conjunto.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O Berimbolo Reverso — descrito em inglês como "RDLR to back", ou seja, da Guarda De La Riva Reversa direto às costas — é a conclusão natural da inversão que a RDLR começa. Diferente da entrada clássica de berimbolo, que parte da De La Riva frontal e passa pela inversão completa desde o início, o Berimbolo Reverso já assume que o praticante está de lado ou de costas para o adversário na posição RDLR, precisando apenas do giro final do quadril e da conquista do cinturão (seatbelt grip) para consolidar o controle de costas. É, na prática, a segunda metade do berimbolo isolada como habilidade própria.
O berimbolo como um todo é um dos capítulos mais marcantes da evolução recente do Jiu-Jitsu esportivo. Ele existia de forma rudimentar havia décadas, mas foi apenas na década de 2010 que se tornou um sistema de ataque sofisticado e repetível, muito por conta do trabalho da geração de atletas ligada aos irmãos Rafael e Guilherme Mendes e aos irmãos Paulo e João Miyao, que competiram intensamente nos principais campeonatos do mundo demonstrando que a inversão do corpo podia ser tão confiável quanto qualquer raspagem tradicional. Isolar o "segundo tempo" do berimbolo — o giro final que sai da RDLR direto para as costas — tornou-se, com essa popularização, um exercício de treino próprio, já que muitos praticantes chegam à posição invertida por outros caminhos (incluindo defesas malsucedidas do adversário) e precisam apenas completar essa etapa final.
É indicada exatamente no momento em que o praticante já está posicionado na RDLR e percebe que o adversário está com a base alta, desalinhada ou girando o corpo na direção errada — sinais de que o caminho para as costas está mais aberto do que o caminho para uma raspagem convencional. Pela regra IBJJF vigente, o valor está na chegada consolidada às costas, que rende 4 pontos, tornando esse giro final uma das transições de maior retorno em pontuação de toda a guarda aberta moderna.
Como montar e usar
Confirme a posição de RDLR
Certifique-se de que o corpo já está de lado ou de costas para o adversário, com o gancho de perna ativo controlando o tornozelo ou o pé dele, base de partida para o giro final.
Leia o desalinhamento do adversário
Observe se o quadril do adversário está alto ou girando na direção errada em relação ao seu corpo — esse desalinhamento é o sinal de que o caminho para as costas está mais curto do que o caminho para uma raspagem.
Complete o giro do quadril
A partir da RDLR, continue girando o próprio quadril na mesma direção já iniciada, acompanhando o movimento com o corpo inteiro em vez de tentar "puxar" apenas com os braços.
Passe a perna livre por baixo
No meio do giro final, passe a perna que ainda está livre por baixo do próprio corpo, acompanhando a rotação e alinhando o quadril na direção das costas do adversário.
Reapareça atrás do adversário
Complete o giro "reaparecendo" diretamente atrás ou ao lado do adversário, já buscando o cinturão — um braço por cima do ombro dele e outro por baixo do braço, unindo as mãos no peito.
Cole o quadril nas costas dele
Assim que o cinturão estiver seguro, ajuste o próprio quadril para ficar colado nas costas do adversário, eliminando o espaço que ele poderia usar para girar de volta para dentro da sua guarda.
Introduza os ganchos
Com o cinturão firme e o quadril colado, introduza um gancho de cada vez entre as pernas do adversário, sem soltar a pegada, até estabelecer o controle de costas completo.
Estabilize antes de atacar
Antes de buscar qualquer finalização, garanta que o controle de costas está estável — cinturão firme, ganchos bem posicionados e quadril colado — já que uma transição apressada costuma devolver o adversário à guarda dele.
Erros comuns
- Tentar o giro final sem confirmar que o adversário está realmente desalinhado, gastando energia em uma inversão que ele consegue simplesmente acompanhar.
- Soltar o gancho de perna cedo demais durante o giro, permitindo que o adversário recue e neutralize a tentativa antes da chegada às costas.
- Buscar os ganchos antes de garantir o cinturão, o que costuma resultar em uma posição de costas frágil e fácil de desfazer.
- Girar pescoço e coluna de forma brusca durante a inversão final, em vez de acompanhar o movimento com o corpo todo de forma gradual e controlada.
- Atacar uma finalização imediatamente após a chegada às costas, sem estabilizar cinturão, ganchos e quadril primeiro.
Segurança
Encadeamentos
O Berimbolo Reverso é, essencialmente, o ponto de encontro de duas famílias de técnica: ele completa a inversão iniciada na guarda-de-la-riva-reversa-rdlr e chega ao mesmo destino que a berimbolo-entrada tradicional busca por um caminho diferente — a diferença é apenas o estágio inicial da inversão, não o objetivo final. Quando o adversário, na origem, resiste à inversão com uma base muito baixa e recuada, o praticante muitas vezes recua para a de-la-riva-profunda-deep-de-la-riva antes de tentar novamente, buscando um gancho mais fundo. Uma vez consolidado o controle de costas ao final do giro, o processo de finalização segue a mesma lógica descrita em back-take-da-de-la-riva, com o cinturão e os ganchos servindo de base para qualquer ataque de finalização posterior, das costas.
Perguntas Frequentes
Berimbolo Reverso é diferente da entrada clássica de berimbolo?
Sim — a entrada clássica parte da De La Riva frontal e passa por toda a inversão desde o início. O Berimbolo Reverso já assume que o praticante está na RDLR (de lado ou de costas) e precisa apenas do giro final para chegar às costas do adversário.
Por que essa é considerada a técnica mais difícil das nove guardas deste conjunto?
Porque combina timing fino de inversão, leitura rápida do desalinhamento do adversário e execução segura de um giro completo do corpo — uma combinação que normalmente só é bem executada depois de anos de prática consistente com a família De La Riva e RDLR.
Quantos pontos vale a chegada às costas por essa via?
Pela regra IBJJF vigente, o controle de costas consolidado vale 4 pontos, independentemente de o praticante ter chegado até ele pela entrada clássica de berimbolo ou pelo giro final descrito aqui a partir da RDLR.
Vale a pena treinar o Berimbolo Reverso isoladamente?
Sim, porque o praticante frequentemente chega à posição RDLR por caminhos diferentes — inclusive defesas do adversário contra outras raspagens — e isolar o giro final como habilidade própria evita depender sempre da mesma sequência de entrada.
Fontes
- [1] Guard (grappling) — descrição da posição de guarda e suas variações — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] Brazilian jiu-jitsu — história e desenvolvimento técnico da arte — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (pontuação oficial de costas e ganchos) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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