50/50
Guarda 50/50 (50/50 Guard)
Na guarda 50/50, os dois praticantes entrelaçam as pernas de forma espelhada — cada um com uma perna por dentro e outra por fora da perna do adversário — criando uma posição sem vantagem clara para nenhum dos lados. Ganhou fama (e polêmica) na virada dos anos 2010, quando equipes como a dos irmãos Mendes passaram a usá-la de forma extensiva em campeonatos, levantando debates sobre estagnação de luta. Indicada a partir da Faixa Roxa, dificuldade 4: a posição em si é simples de entender, mas jogar bem dentro dela — sem travar a luta nem se expor a uma chave de perna — exige repertório real.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
A guarda 50/50 existe como recurso técnico há décadas, mas foi só na virada da década de 2010 que ela se tornou um fenômeno de discussão pública dentro do Jiu-Jitsu esportivo. Equipes de altíssimo nível competitivo, com destaque para os irmãos Rafael e Guilherme Mendes, passaram a usar a posição de forma extensiva em campeonatos mundiais da IBJJF, aproveitando sua simetria para neutralizar a passagem de guarda de adversários fortes em pontuação sem necessariamente arriscar uma disputa aberta. O resultado foi uma onda de críticas de parte da comunidade, que via na 50/50 uma forma de "travar" a luta — dois atletas presos na mesma posição neutra por minutos, sem progresso visível de pontuação.
Tecnicamente, a 50/50 é montada quando os dois praticantes têm uma perna entrelaçada com a do outro de forma equivalente: a perna de cada um passa por dentro da perna do adversário enquanto a outra passa por fora, formando um entrelaçamento espelhado. Pela regra vigente da IBJJF, a posição em si não gera pontuação para nenhum dos lados — o que decide a disputa é o que acontece a partir dela, geralmente tentativas de chave de perna ou de transição para outra guarda.
A guarda 50/50 costuma surgir de duas formas: como resultado de uma disputa de De la Riva ou de guarda X que "empata" no meio do caminho, com nenhum dos dois lados conseguindo completar a própria posição, ou como entrada deliberada, quando um atleta reconhece que está em desvantagem de passagem e prefere neutralizar a pontuação entrelaçando a própria perna com a do adversário. É especialmente útil contra passadores de guarda muito fortes fisicamente, já que a simetria da posição reduz a vantagem de força bruta que normalmente favorece quem está por cima.
Depois da onda de críticas do início dos anos 2010, a própria comunidade competitiva amadureceu o uso da posição: hoje a 50/50 é tratada com mais frequência como ponto de partida para disputas de chave de perna — a chave de pé reta e, no no-gi, o heel hook — do que como refúgio defensivo puro, o que reacendeu o interesse técnico pela posição sem eliminar totalmente a fama que carrega desde então.
Como montar e jogar
Aproveite a disputa de guarda aberta
Procure o momento em que uma disputa de De la Riva, guarda X ou guarda de borboleta chega a um impasse, com as pernas de ambos já parcialmente entrelaçadas.
Complete o entrelaçamento espelhado
Passe uma perna por dentro da perna do adversário e mantenha a outra por fora, buscando a simetria exata que caracteriza a 50/50 — nenhum dos lados deve estar "por cima" da trava.
Recolha o calcanhar
Assim que a posição estiver montada, traga o próprio calcanhar para perto do quadril, reduzindo desde já a exposição a uma eventual chave de pé reta.
Controle a perna livre e a manga
Use as mãos para segurar a perna, o tornozelo ou a manga do adversário, limitando a capacidade dele de ajustar o próprio quadril para atacar primeiro.
Disputa de grip e ângulo
Trabalhe para conquistar um ângulo levemente melhor que o do adversário, girando o próprio quadril para fora da linha de ataque dele enquanto busca a própria linha de ataque.
Escolha entre atacar ou transicionar
Avalie se há espaço para avançar para um ashi garami mais completo e buscar a finalização, ou se é mais seguro usar a posição para negociar uma raspagem e sair para uma guarda superior.
Erros comuns
- Entrar na 50/50 sem plano de ataque, apenas como refúgio, o que tende a resultar em estagnação e pode ser penalizado por arbitragem em competições mais rígidas com a regra de passividade.
- Deixar o próprio pé esticado com os dedos apontados para fora do corpo, facilitando o encaixe imediato de uma chave de pé reta pelo adversário.
- Ignorar o controle de manga ou perna livre do adversário, permitindo que ele ajuste o próprio quadril e ataque primeiro.
- Tentar desfazer a posição com força bruta em vez de negociar ângulo e grip antes de qualquer movimento brusco.
- Não perceber quando a disputa virou uma corrida de chave de perna, continuando a tratar a posição como neutra enquanto o adversário já está atacando o tornozelo.
Segurança
Encadeamentos
Quem joga 50/50 precisa necessariamente dominar o escape da 50/50 para evitar a chave de perna, já que a mesma posição que oferece oportunidade de ataque também oferece oportunidade idêntica ao adversário. A evolução natural da posição passa pelo ashi garami da 50/50, quando um dos lados consegue avançar o próprio controle de perna além do entrelaçamento simétrico, e pela raspagem da 50/50, quando o objetivo deixa de ser a finalização e passa a ser reconquistar uma posição de vantagem em pontos. Para a finalização propriamente dita, a chave de pé reta continua sendo a rota mais comum no gi, enquanto no no-gi o heel hook interno se torna a ameaça central assim que um dos lados consegue avançar o quadril.
Perguntas Frequentes
Por que a 50/50 tem fama de travar a luta?
Porque, no início dos anos 2010, equipes de alto nível competitivo passaram a usar a posição de forma extensiva para neutralizar passadores de guarda fortes, resultando em disputas longas e sem progresso visível de pontuação. A crítica pegou tanto que a posição ficou associada ao "stalling" mesmo quando usada com intenção real de ataque, uma fama que persiste até hoje apesar do amadurecimento técnico da comunidade.
A 50/50 pontua para algum dos lados?
Não, pela regra vigente da IBJJF a posição em si é neutra e não gera pontos — o que decide a disputa é o que acontece a partir dela, principalmente tentativas de chave de perna ou transições para outras guardas e passagens.
A 50/50 é uma posição defensiva ou ofensiva?
Pode ser as duas coisas, dependendo de quem a usa. Historicamente foi tratada como refúgio defensivo contra passadores fortes, mas competidores modernos a usam cada vez mais como ponto de partida deliberado para disputas de chave de perna.
Todo mundo pode treinar a 50/50 com segurança?
A posição em si é segura como qualquer guarda entrelaçada, mas por expor as duas pernas simultaneamente, o cuidado com chaves de perna deve ser redobrado — sempre respeitando a faixa e a modalidade (gi ou no-gi) do parceiro antes de avançar para uma finalização.
Fontes
- [1] 50/50 guard — descrição técnica da posição simétrica de guarda — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] BJJ Heroes — enciclopédia de técnicas e biografias do Jiu-Jitsu — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (regra de passividade e regulamentação de chaves de perna) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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