Guarda X
Guarda X (X-Guard)
A guarda X é uma das posições que mais mudaram o Jiu-Jitsu nas últimas duas décadas: com o atacante deitado de costas embaixo do adversário, uma perna cruzando o tornozelo dele e a outra travada atrás do joelho, o praticante sustenta literalmente o peso do oponente sobre os próprios quadris — e a usa contra ele. Ficou mundialmente famosa através de Marcelo Garcia, que a utilizou para varrer e chegar às costas de adversários muito mais pesados em campeonatos como o ADCC. Indicada a partir da Faixa Roxa, dificuldade 4: a mecânica de entrada e sustentação exige base de quadril e timing que só vêm com repertório prévio de guardas abertas.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
A guarda X tem raízes em posições de entrelaçamento de perna já conhecidas do judô e do sambo de luta, mas foi no Jiu-Jitsu esportivo dos anos 2000 que ela ganhou o formato e o protagonismo que tem hoje, sobretudo através de Marcelo Garcia. Competindo com frequência contra adversários bem mais pesados em categorias abertas do ADCC e de campeonatos mundiais, Marcelo transformou a guarda X em uma ferramenta de equalização: em vez de tentar vencer o confronto de força, ele usava a posição para erguer o quadril do oponente do chão, quebrar a base dele por trás e converter a varredura em passagem ou em ataque às costas, muitas vezes contra atletas com dezenas de quilos a mais.
Tecnicamente, a guarda X é montada com o atacante deitado de costas no chão, embaixo de uma das pernas de apoio do adversário — geralmente durante uma tentativa de passagem ou de arrancada em pé. Uma perna do atacante cruza por cima do tornozelo dessa perna de apoio, enquanto a outra perna passa por trás do joelho do mesmo lado, formando um "X" que trava a perna do oponente entre as duas pernas do atacante. O quadril fica elevado, sustentando parte do peso do adversário, o que é fisicamente exigente mas gera um controle incomum sobre o equilíbrio dele.
A guarda X funciona melhor contra um adversário que está de pé ou semi-ajoelhado tentando passar a guarda, especialmente logo após uma raspagem de guarda de borboleta ou uma disputa de De la Riva em que o atacante desliza para baixo do quadril do oponente durante a troca de guardas. É uma posição de transição por natureza: raramente compensa ficar muito tempo nela sem atacar, já que sustentar o peso do adversário nos próprios quadris tem custo físico alto. O objetivo é usá-la rapidamente para desequilibrar, raspar, subir para uma guarda single-X ou já emendar direto para uma chave de tornozelo.
Nos últimos quinze anos, a guarda X ganhou uma segunda vida como porta de entrada para o jogo moderno de ataque de pernas, algo sistematizado com muito rigor por treinadores como John Danaher e sua equipe: a mesma configuração de pernas que gera a varredura também é o ponto de partida natural para diversos ashi garami, o que fez da guarda X uma peça central tanto do jogo de pontos tradicional quanto do submission grappling contemporâneo, no gi e no no-gi.
Como montar e usar
Aproveite a abertura
A entrada mais comum acontece quando o adversário está de pé ou ajoelhado tentando passar a guarda e expõe uma das pernas de apoio — geralmente logo após uma disputa de guarda de borboleta ou De la Riva.
Deite-se e passe por baixo do quadril
Jogue-se de costas no chão, passando o corpo por baixo da perna de apoio do adversário, de forma que o quadril dele fique diretamente acima do seu tronco.
Trave o gancho no tornozelo
Cruze uma perna por cima do tornozelo da perna de apoio dele, prendendo o pé do adversário e limitando o deslocamento dessa perna.
Feche o "X" atrás do joelho
Passe a outra perna por trás do joelho do mesmo lado, fechando a formação em "X" que trava a perna dele entre as suas duas pernas.
Eleve o quadril e quebre a base
Empurre o próprio quadril para cima, tirando o peso do adversário do centro do corpo dele e forçando-o a apoiar-se cada vez mais na perna presa.
Puxe o calcanhar para varrer
Combine a elevação do quadril com um puxão no calcanhar da perna presa na direção do seu corpo, derrubando o adversário para o lado oposto.
Escolha a saída
Depois da queda, decida entre passar por cima para uma posição de controle, subir para uma guarda single-X mais estável ou seguir direto para uma chave de tornozelo, sempre priorizando a segurança da própria articulação e a do adversário.
Erros comuns
- Ficar tempo demais na posição sem atacar, gastando a força dos quadris à toa e dando tempo para o adversário reorganizar a base.
- Deixar o próprio quadril cair no chão em vez de mantê-lo elevado, o que devolve o peso e o equilíbrio para o adversário.
- Tentar a varredura puxando só com os braços, sem envolver o giro de quadril e a tração do calcanhar, o que raramente derruba adversários mais pesados.
- Prender apenas uma das duas travas de perna (só o tornozelo ou só o joelho), permitindo que o adversário retire a perna com facilidade.
- Ignorar a mão livre do adversário, que pode usar o chão como apoio extra para resistir à queda enquanto o atacante insiste na mesma direção de puxão.
Segurança
Encadeamentos
A guarda X se conecta diretamente com a guarda single-X, uma versão mais simplificada e mais fácil de sustentar que costuma ser a evolução natural quando o atacante solta uma das travas de perna para ganhar mobilidade. Também é o ponto de partida clássico para a chave de tornozelo da guarda X, aplicada no mesmo instante em que a varredura falha ou é antecipada pelo adversário. Do outro lado do espectro de guardas de entrelaçamento, a guarda X compartilha princípios de base e quebra de postura com a guarda K, e a transição entre as duas é comum o suficiente para merecer estudo próprio. Como muitas entradas na guarda X acontecem a partir de disputas de De la Riva, vale revisar o back-take da De la Riva como contexto de origem, e comparar a mecânica de quebra de base aqui descrita com a de um single leg tradicional, já que os princípios de desequilíbrio se repetem em ambas.
Perguntas Frequentes
Preciso ser pesado ou forte para usar a guarda X?
Não — pelo contrário, a guarda X é historicamente associada a atletas mais leves que enfrentam adversários pesados, como Marcelo Garcia em categorias abertas. A eficiência da posição vem da alavancagem sobre o tornozelo e o joelho, não da força bruta.
Qual a diferença entre a guarda X e a guarda single-X?
Na guarda X, as duas pernas do atacante travam a mesma perna do adversário (uma no tornozelo, outra atrás do joelho). Na guarda single-X, apenas uma trava é mantida, geralmente no quadril ou na virilha, o que sacrifica um pouco de controle em troca de mais mobilidade e menos desgaste físico.
A guarda X é permitida em todas as categorias de faixa?
Sim, como posição ela não é restrita por faixa nenhuma — o que muda pela regra vigente da IBJJF é o tipo de finalização que se pode buscar a partir dela, com chaves mais avançadas liberadas apenas a partir da Faixa Marrom e o heel hook restrito ao no-gi.
Por que a guarda X é considerada uma posição de transição?
Porque sustentar o peso do adversário nos próprios quadris tem alto custo físico e porque a posição, quando não usada rapidamente para varrer ou atacar, tende a se desfazer sozinha assim que o adversário reorganiza a base — o que faz da guarda X uma ferramenta de ação rápida, não de descanso.
Fontes
- [1] X-guard — descrição técnica da posição de guarda no grappling — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] BJJ Heroes — enciclopédia de técnicas e biografias do Jiu-Jitsu — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (regulamentação de guardas e finalizações por faixa) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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