Posições e Controle

Kesa Gatame (Controle de Gola)

★★☆☆☆
Faixa Branca

Herdado direto do Judô, o Kesa Gatame — ou "controle de gola" — é uma das primeiras posições de imobilização ensinadas em qualquer tatame, com dificuldade baixa e presente desde a Faixa Branca. Mais do que uma posição que pontua, é o cimento que segura o adversário no chão enquanto o atacante decide o próximo passo.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 6 min de leitura

Vídeo desta técnica em breve

Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.

O Kesa Gatame — em japonês, literalmente "controle de gola" ou "controle em faixa", numa referência à forma como o corpo do atacante cruza o tronco do adversário como uma faixa transversal — é uma das quatro imobilizações clássicas do osaekomi-waza, o conjunto de técnicas de imobilização do Judô. No Ocidente, também é chamado de "scarf hold" (controle de cachecol), pela mesma ideia de um corpo enrolado sobre o outro. É, junto com o side control e a montada, uma das posições de controle mais antigas documentadas em qualquer arte marcial de solo, e chegou ao Jiu-Jitsu brasileiro como parte direta da herança judoca dos pioneiros da arte.

Na aplicação clássica, o atacante senta ao lado do adversário, prende um dos braços dele junto ao próprio corpo — geralmente entre a própria axila e a cintura — e apoia o peso do tronco sobre o peito dele, com a cabeça do adversário sob a própria axila. É uma posição de baixíssimo gasto de energia para quem controla, o que a torna extremamente popular entre praticantes mais velhos ou de porte físico menor: a imobilização depende de ângulo e peso, não de força.

É essencial ser honesto aqui sobre um ponto que separa o Judô do Jiu-Jitsu: no Judô, com o gi e as regras de imobilização por tempo, o Kesa Gatame clássico é extremamente seguro e eficiente, porque a luta termina se o adversário não escapar dentro do cronômetro. No Jiu-Jitsu, onde a luta continua no chão por tempo indeterminado e as costas expostas são um risco real, o braço preso do lado de fora — a marca registrada do Kesa Gatame tradicional — deixa as costas do atacante relativamente acessíveis para o adversário, algo que instrutores mais experientes sempre apontam como a principal limitação da posição em comparação com o side control moderno.

Pela regra vigente da IBJJF, o Kesa Gatame em si não pontua isoladamente — é uma posição de controle pós-passagem, assim como o side control, e serve para consolidar os pontos já obtidos e abrir caminho para finalizações, principalmente chaves de braço no membro que já está preso junto ao corpo do atacante.

Como aplicar

1

Chegada pelo lado

A partir de uma passagem de guarda ou de uma queda, sente ao lado do tronco do adversário, com o quadril próximo à cintura dele e o peito voltado para a cabeça dele.

2

Isolamento do braço

Prenda o braço mais próximo do adversário entre o próprio tronco e o próprio braço, mantendo o cotovelo dele colado ao seu quadril — é esse isolamento que caracteriza o Kesa Gatame e que, mais tarde, abre caminho para a Americana.

3

Cabeça sob a axila

Posicione a cabeça do adversário sob a própria axila, sem deixar espaço entre o pescoço dele e o seu tronco — esse contato é parte do que trava a rotação dele para os dois lados.

4

Base baixa com a perna estendida

Estenda a perna mais distante para trás, apoiando o pé no chão, e mantenha a outra perna dobrada próxima ao próprio quadril, formando uma base de tripé estável e difícil de virar.

5

Peso no peito, não nos braços

Distribua o peso do tronco diretamente sobre o peito do adversário, evitando apoiar-se nos próprios braços — braços cansados são o primeiro sinal de que a pressão está sendo mal aplicada.

6

Controle do braço livre dele

Use a mão livre para controlar o quadril, o cinto ou o braço livre do adversário, antecipando a tentativa mais comum de fuga: empurrar o pescoço do atacante para criar espaço.

7

Progressão para a chave ou para outra posição

Com o braço já isolado e o controle consolidado, avance diretamente para a Americana ou reposicione para o side control tradicional, caso o adversário consiga girar parcialmente o tronco.

Erros comuns

  • Deixar o braço isolado sem pressão suficiente, permitindo que o adversário puxe-o de volta para dentro do próprio corpo.
  • Ficar sentado ereto demais, sem baixar o peso sobre o peito do adversário, perdendo a principal fonte de imobilização da posição.
  • Ignorar as próprias costas: como o braço isolado deixa o corpo do atacante um pouco mais exposto que no side control, é comum levar um susto quando o adversário gira e ameaça as costas.
  • Deixar o quadril longe da cintura do adversário, criando espaço suficiente para ele inserir o joelho e recompor a guarda.
  • Insistir na posição clássica contra adversários maiores em vez de migrar para o Kuzure Kesa Gatame, que resiste melhor a tentativas de empurrar o quadril.

Segurança

O Kesa Gatame concentra bastante peso sobre o peito e, dependendo do ângulo, sobre o pescoço do adversário — é importante calibrar a pressão com parceiros iniciantes ou com histórico de problemas respiratórios, assim como em qualquer imobilização de tronco. Durante a disputa pelo braço isolado, evite torções bruscas no cotovelo ou no ombro dele antes de decidir efetivamente pela Americana: a chave deve ser uma decisão consciente, com pressão progressiva, e nunca um efeito colateral de uma disputa de posição malfeita.

Encadeamentos

O Kesa Gatame é ponto de partida de uma pequena família de variações que resolvem, cada uma à sua maneira, as limitações da versão clássica. Contra adversários que insistem em empurrar o quadril do atacante para criar espaço, a migração natural é para o Kuzure Kesa Gatame (Scarf Hold Modificado), que troca a pegada do braço isolado por uma pegada por baixo da axila, oferecendo mais resistência a esse tipo de fuga. Quando o objetivo é atacar de frente para a cabeça do adversário em vez de de lado, o caminho é o Kesa Gatame Reverso (Reverse Kesa Gatame), uma variação de ângulo que muda a forma como o peso é distribuído. Do ponto de vista das finalizações, o braço isolado junto ao corpo é exatamente a configuração de que a Americana precisa para funcionar, o que faz da chave de ombro a progressão mais natural e mais ensinada a partir dessa posição. Já quem prefere consolidar controle em vez de arriscar a chave costuma migrar para o 100 Kg (Side Control), trocando o ângulo lateral clássico pela pressão mais frontal e mais segura contra fugas de quadril.

Perguntas Frequentes

Kesa Gatame pontua na regra IBJJF vigente?

Não isoladamente. Assim como o side control, é uma posição de controle pós-passagem que consolida os pontos já conquistados e abre caminho para finalizações, principalmente a Americana no braço isolado.

Qual a diferença entre Kesa Gatame e side control?

No Kesa Gatame clássico, um braço do adversário fica isolado junto ao corpo do atacante e a cabeça dele fica sob a axila; no side control, o controle é mais frontal, com underhook e cross-face, e nenhum braço fica necessariamente preso dessa forma.

Por que o Kesa Gatame é considerado arriscado no Jiu-Jitsu?

Porque o braço isolado do lado de fora deixa as costas do atacante um pouco mais expostas do que no side control tradicional, especialmente contra adversários experientes em girar o corpo e buscar essa exposição.

De onde vem o nome Kesa Gatame?

É um termo japonês do Judô que remete a uma faixa ou cachecol ("kesa") enrolado sobre o corpo do adversário, daí também o nome ocidental "scarf hold" — a mesma imagem de um corpo cruzado transversalmente sobre o outro.

Fontes

  1. [1] JudoInfo — recursos e referência técnica de Judô — JudoInfo (acesso em 19/07/2026)
  2. [2] Kodokan Judo Institute — Gokyo no Waza (técnicas oficiais) — Kodokan Judo Institute (acesso em 19/07/2026)
  3. [3] Kesa-gatame — descrição da imobilização de Judô — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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