Posições e Controle
Kesa Gatame Reverso (Reverse Kesa Gatame)
Enquanto o Kesa Gatame clássico ataca de lado, o Kesa Gatame Reverso vira o corpo do atacante para de frente para a cabeça do adversário, mudando o ângulo de pressão sem abrir mão da mesma ideia de imobilização. Dificuldade baixa, ensinada desde a Faixa Azul, é a resposta natural para quem já domina o Kesa Gatame e quer mais uma ferramenta contra as reações mais comuns dele.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O Kesa Gatame Reverso mantém o princípio fundamental de toda a família Kesa Gatame — um braço do adversário isolado junto ao corpo do atacante, peso concentrado sobre o peito dele — mas troca o ângulo de aproximação. Em vez de sentar ao lado do tronco do adversário olhando na direção das pernas dele, como no Kesa Gatame tradicional, o atacante se posiciona de frente para a cabeça dele, com o corpo apontando para o lado oposto. É praticamente a mesma posição vista de um ângulo diferente, e essa mudança de perspectiva é o que dá o nome "reverso" à variação.
Essa mudança de ângulo não é só estética: ela altera completamente para onde o adversário consegue empurrar ou girar para tentar escapar. No Kesa Gatame clássico, a fuga mais natural é empurrar o quadril do atacante para o lado das pernas dele; no Kesa Gatame Reverso, essa mesma tentativa de fuga encontra o corpo do atacante posicionado de um jeito que dificulta bem mais esse tipo específico de movimento, obrigando o adversário a procurar outro caminho — geralmente girar em direção à própria cabeça, um movimento mais lento e mais fácil de acompanhar.
Como toda a família de imobilizações herdadas do Judô, o Kesa Gatame Reverso não pontua isoladamente na regra vigente da IBJJF — segue a mesma lógica do Kesa Gatame clássico e do side control, funcionando como posição de consolidação após uma passagem ou uma queda, e não como ação pontuável por si só.
A mesma honestidade sobre limites vale aqui: o braço isolado continua ficando por fora do corpo do atacante, o que significa que a exposição das próprias costas — o principal ponto de atenção de toda a família Kesa Gatame no Jiu-Jitsu, em contraste com o ambiente mais controlado do Judô — segue sendo um fator a monitorar, mesmo com o ângulo reverso dificultando a fuga mais comum.
Muitos instrutores tratam o Kesa Gatame Reverso mais como uma ferramenta situacional do que como uma posição buscada desde o início: ele costuma aparecer no meio de uma disputa, quando o atacante já está no Kesa Gatame clássico e o adversário começa a girar em direção à própria cabeça tentando escapar. Nesse instante, em vez de resistir ao giro dele, o atacante pode simplesmente acompanhar o movimento e terminar posicionado de frente para a cabeça, herdando automaticamente o Kesa Gatame Reverso sem precisar recomeçar o controle do zero. Essa leitura de "seguir o movimento do adversário" em vez de brigar contra ele é um dos princípios mais valiosos que a variação ensina, muito além da posição em si.
Como aplicar
Aproximação de frente para a cabeça
A partir de uma passagem ou de um controle intermediário, posicione o próprio corpo de frente para a cabeça do adversário, em vez de lateralmente como no Kesa Gatame tradicional.
Isolamento do braço mais próximo
Prenda o braço mais próximo do adversário junto ao próprio corpo, exatamente como no Kesa Gatame clássico, mas agora a partir desse novo ângulo de frente.
Cabeça sob a axila, do outro lado
Encaixe a cabeça do adversário sob a própria axila, atenta ao fato de que, nesse ângulo, o contato acontece do lado oposto ao que a maioria dos praticantes está acostumada no Kesa Gatame tradicional.
Base baixa e peso no peito
Distribua o peso do tronco sobre o peito do adversário e mantenha a base baixa com uma perna estendida, os mesmos fundamentos de qualquer variação da família Kesa Gatame.
Bloqueio da fuga mais comum
Perceba como o próprio corpo, nesse ângulo, já bloqueia boa parte do caminho que o adversário usaria para empurrar o quadril na versão clássica — use isso para reagir com calma se ele tentar mesmo assim.
Reação ao giro de cabeça
Se o adversário tentar girar em direção à própria cabeça para escapar, acompanhe o giro com o próprio corpo, sem perder o braço isolado nem o peso sobre o peito dele.
Progressão para finalização ou troca de ângulo
Com o controle consolidado, busque a Americana no braço isolado ou reposicione de volta para o Kesa Gatame clássico, caso o ângulo reverso deixe de ser vantajoso durante a disputa.
Erros comuns
- Confundir o ângulo de frente com o do Norte-Sul, perdendo o isolamento específico do braço que caracteriza a família Kesa Gatame.
- Deixar o quadril longe demais da cabeça ou do tronco do adversário, abrindo espaço para ele girar com facilidade.
- Esquecer, mais uma vez, que o braço isolado por fora do corpo ainda deixa as costas do atacante parcialmente acessíveis — o ângulo reverso reduz uma fuga específica, mas não elimina esse limite estrutural da posição.
- Manter o peso nos braços em vez de no peito, cansando-se sem necessidade durante a disputa pelo ângulo.
- Trocar de ângulo (clássico para reverso e vice-versa) sem necessidade real, perdendo tempo de controle em vez de simplesmente consolidar a posição já conquistada.
Segurança
Encadeamentos
O Kesa Gatame Reverso funciona melhor como uma ferramenta a mais dentro da mesma família, e não como substituto definitivo do Kesa Gatame (Controle de Gola) clássico ou do Kuzure Kesa Gatame — a leitura da reação do adversário é que decide qual ângulo usar a cada momento da disputa. Pela proximidade do ângulo de frente para a cabeça, é comum que o atacante deslize naturalmente para o Norte-Sul (North-South) quando o adversário consegue girar parcialmente o tronco, trocando o isolamento do braço pelo controle dos dois braços por cima dos ombros. E, assim como em toda a família Kesa Gatame, o braço já preso junto ao corpo do atacante é a porta de entrada mais direta para a Americana, praticamente sem precisar de ajustes adicionais na pegada.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre Kesa Gatame Reverso e o Kesa Gatame clássico?
É o mesmo princípio de imobilização — braço isolado, cabeça sob a axila — mas aplicado de um ângulo diferente: o atacante fica de frente para a cabeça do adversário, em vez de lateralmente como na versão tradicional.
O Kesa Gatame Reverso pontua na regra IBJJF vigente?
Não isoladamente, seguindo a mesma lógica de toda a família Kesa Gatame: é uma posição de consolidação pós-passagem, e não uma ação que gera pontos por si só.
Por que usar o ângulo reverso em vez do clássico?
Principalmente porque ele dificulta a fuga mais comum do Kesa Gatame tradicional — empurrar o quadril do atacante para o lado das pernas — obrigando o adversário a procurar um caminho de fuga mais lento e mais fácil de acompanhar.
O Kesa Gatame Reverso é mais seguro que o clássico em termos de exposição das costas?
Não substancialmente. O braço isolado continua por fora do corpo do atacante em ambas as versões, então a atenção à própria exposição segue necessária independentemente do ângulo escolhido.
Fontes
- [1] JudoInfo — recursos e referência técnica de Judô — JudoInfo (acesso em 19/07/2026)
- [2] Kodokan Judo Institute — Gokyo no Waza (técnicas oficiais) — Kodokan Judo Institute (acesso em 19/07/2026)
- [3] Kesa-gatame — descrição da imobilização de Judô e variações — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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