Judô

Sumi Gaeshi

★★★★☆
Faixa Roxa

O Sumi Gaeshi é uma sutemi-waza do Judô tão parecida com uma raspagem de guarda aberta que muitos praticantes de Jiu-Jitsu a reconhecem antes mesmo de saber o nome japonês. Indicada a partir da Faixa Roxa com dificuldade alta, ela usa um gancho de perna e o próprio corpo caindo para trás para virar o adversário por cima — o mesmo princípio de várias raspagens modernas.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 5 min de leitura

Vídeo desta técnica em breve

Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.

O Sumi Gaeshi (隅返, "virada de canto") é outra representante clássica das sutemi-waza — as técnicas de sacrifício do Judô, em que o atacante joga o próprio corpo ao chão para desequilibrar e arremessar o adversário. Diferente do Tomoe Nage, que usa a planta do pé no baixo-ventre do oponente, o Sumi Gaeshi trabalha com um gancho de perna mais próximo da virilha ou da parte interna da coxa, combinado a uma queda para trás e para o lado que "vira" o adversário por cima do atacante.

É difícil descrever o Sumi Gaeshi sem citar diretamente o Jiu-Jitsu moderno: o gancho de perna próximo à virilha, o puxão simultâneo com os braços e a queda controlada para trás são exatamente os ingredientes de boa parte das raspagens de guarda aberta usadas hoje em competição, especialmente as que partem da guarda de borboleta. Não é coincidência — ambas as artes compartilham a mesma raiz histórica de luta agarrada, e o Sumi Gaeshi é provavelmente a sutemi-waza que mais se aproxima, gesto por gesto, de uma raspagem contemporânea de Jiu-Jitsu.

Como toda sutemi-waza, o Sumi Gaeshi funciona melhor contra um adversário que avança o peso para a frente, seja empurrando na pegada de gola, seja tentando fechar a distância. Pela regra IBJJF vigente, a queda controlada com resultado de vantagem posicional vale 2 pontos — mas, assim como no Tomoe Nage, o risco recai sobre o próprio atacante: como ele cai de costas antes de o movimento se completar, um Sumi Gaeshi malfeito ou cronometrado errado pode simplesmente resultar no adversário caindo por cima dele, com o peso total sobre o peito ou o abdômen.

Como aplicar

1

Pegada de kimono

Conquiste uma pegada de gola e uma pegada de manga (ou de trás das costas, em variações mais avançadas), mantendo a distância curta para facilitar o gancho de perna que vem a seguir.

2

Encaixe o gancho de perna

Encaixe a sola do pé ou a parte de trás do joelho próximo à virilha ou à parte interna da coxa do adversário, do mesmo lado da perna de apoio dele.

3

Provoque ou aproveite o avanço

Puxe levemente pela gola para incentivar o adversário a avançar o peso do corpo em sua direção, ou aproveite o momento em que ele já está avançando por conta própria.

4

Caia para trás e para o lado

Jogue o próprio corpo para trás e ligeiramente para o lado, girando o quadril na direção do gancho de perna, sem soltar as pegadas de gola e manga em nenhum momento.

5

Puxe e gire simultaneamente

No instante em que as costas tocam o solo, puxe com força pelos braços enquanto o gancho de perna empurra a coxa dele para cima, combinando os dois movimentos para virá-lo por cima do próprio corpo.

6

Guie a queda dele

Continue direcionando o corpo do adversário com as mãos enquanto ele gira no ar, evitando que ele caia com o peso total sobre o seu tronco ou cabeça.

7

Consolide a posição

Assim que ele tocar o tatame, gire junto com o movimento para buscar uma posição de vantagem — muitas vezes a própria rotação já deixa o atacante por cima, pronto para consolidar pontos ou iniciar a passagem de guarda.

Erros comuns

  • Encaixar o gancho de perna longe demais da virilha ou da coxa, perdendo a alavanca necessária para virar o adversário.
  • Cair para trás antes de o adversário estar realmente com o peso avançado, desperdiçando o timing que sustenta o movimento.
  • Soltar qualquer uma das pegadas de gola e manga no meio da queda, perdendo o controle sobre a direção da virada.
  • Girar o quadril tarde demais em relação à queda das costas, resultando num movimento descoordenado que não completa a virada.
  • Tentar a técnica contra adversários com base muito larga e baixa, que conseguem simplesmente afastar o quadril do gancho de perna.

Segurança

Assim como toda sutemi-waza, o Sumi Gaeshi coloca o próprio atacante no chão antes de a técnica se completar — se o timing falhar, o adversário pode cair com o peso total sobre o peito ou o abdômen de quem tentou o arremesso. Treine o movimento devagar, com o parceiro ciente e cooperando enquanto o timing do gancho de perna e a queda controlada ainda não estão automatizados. Cuidado especial com o joelho e o quadril do próprio atacante durante a queda: uma rotação incompleta pode torcer a própria perna que está encaixada na virilha do adversário. Nunca aplique em superfícies duras ou sem colchão adequado.

Variações e encadeamentos

O gancho de perna do Sumi Gaeshi é, na prática, o mesmo princípio mecânico usado na raspagem básica de borboleta: um gancho próximo à virilha ou à coxa do adversário, combinado a um puxão de braços, que o vira por cima do atacante que está por baixo. Muitos instrutores usam justamente essa semelhança para ensinar o Sumi Gaeshi como ponte entre o jogo em pé e o jogo de guarda de borboleta. A configuração final das pernas depois de um Sumi Gaeshi bem-sucedido também costuma abrir caminho natural para uma entrada de guarda X, já que o gancho original frequentemente evolui para um controle de perna semelhante. Quando o gancho de perna não encontra espaço e a queda para trás não se completa, transformar a tentativa numa puxada de guarda costuma ser a saída mais segura, aproveitando a mesma disposição de peso que o Sumi Gaeshi já buscava. O Tomoe Nage, irmão mais conhecido do Sumi Gaeshi dentro da família das sutemi-waza, compartilha o mesmo princípio de queda controlada para trás, mudando apenas o ponto de contato com o adversário.

Perguntas Frequentes

O Sumi Gaeshi funciona sem kimono (no-gi)?

Sim, com mais facilidade do que outras sutemi-waza, já que o gancho de perna na virilha ou na coxa não depende tanto da pegada de gi quanto o Tomoe Nage — muitas raspagens de no-gi usam exatamente esse mecanismo.

Qual a diferença entre o Sumi Gaeshi e uma raspagem de guarda de borboleta comum?

Mecanicamente são muito parecidos: os dois usam um gancho de perna perto da virilha e um puxão de braços para virar o adversário. A diferença histórica é que o Sumi Gaeshi nasceu como uma queda de Judô aplicada a partir da posição em pé, enquanto a raspagem de borboleta parte de uma posição sentada no chão.

O que fazer se o gancho de perna não pegar espaço suficiente?

Recuar e tentar reencaixar mais perto da virilha, ou trocar a tentativa por uma puxada de guarda — insistir num gancho mal posicionado geralmente gasta energia sem resultado.

O Sumi Gaeshi é mais seguro ou mais arriscado que o Tomoe Nage?

Os riscos são parecidos, já que ambos são sutemi-waza em que o atacante cai de costas antes da técnica se completar. O Sumi Gaeshi tende a gerar quedas um pouco mais laterais, enquanto o Tomoe Nage joga o adversário mais diretamente por cima da cabeça do atacante.

Fontes

  1. [1] Sumi-gaeshi — verbete técnico sobre a virada de canto do Judô — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
  2. [2] JudoInfo — recursos e referência técnica de Judô — JudoInfo (acesso em 19/07/2026)
  3. [3] Kodokan Judo Institute — técnicas oficiais do Gokyo — Kodokan Judo Institute (acesso em 19/07/2026)
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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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