Comentaristas do UFC condenam ação de árbitro em derrota de Renato Moicano — Federação de Jiu-Jitsu, Brazilian Jiu-Jitsu Federation
As pesadas críticas ao desempenho do árbitro Dan Miragliotta na luta principal do UFC Vegas 123, que terminou com a derrota do brasileiro Renato Moicano para o australiano Tom Nolan, no último sábado (31), não foram feitas exclusivamente por lutadores, treinadores, fãs e membros...
Federação de Jiu-Jitsu: As pesadas críticas ao desempenho do árbitro Dan Miragliotta na luta principal do UFC Vegas 123, que terminou com a derrota do brasileiro Renato Moicano para o australiano Tom Nolan, no último sábado (31), não foram feitas exclusivamente por lutadores, treinadores, fãs e membros da imprensa especializada. A própria equipe de transmissão do evento, que conta com figuras do calibre do ex-campeão Daniel Cormier, não foi capaz de pegar leve com o profissional de arbitragem na hora de analisar a polêmica da noite.
Durante o segundo round do ‘main event’, Dan Miragliotta tomou a controversa decisão de interromper a disputa, tirar Moicano de uma posição de extrema vantagem conquistada por ele ao pegar as costas de Nolan e reiniciar o confronto em pé, com ambos separados. A medida adotada pelo árbitro interferiu diretamente no ritmo do duelo, que vinha sendo controlado pelo brasileiro através do grappling e passou a ser dominado pelo australiano na trocação, culminando na sua vitória, por nocaute técnico, no terceiro assalto.
A atitude do árbitro foi criticada durante e depois da transmissão ao vivo do evento na ‘Paramount+’. Nas suas considerações finais após o término do evento, o ex-campeão e comentarista Daniel Cormier foi direto ao criticar a ação de Miragliotta. Para o veterano, nenhum árbitro deveria interferir desta forma quando um lutador se encontra em uma posição de tamanho domínio sobre um rival.
“Eu estou sendo completamente honesto. Não é porque eu amo grappling… É tão difícil chegar naquela posição. Aquela é uma posição tão dominante. Ainda que Moicano talvez não estivesse socando (Nolan), ele estava tentando encaixar (o mata-leão), estava tentando lutar com as mãos para tentar conseguir uma finalização. É isso que você faz. Você pode levantar (os lutadores) em muitas posições, mas eu acho que um árbitro nunca deveria tirar alguém da montada ou das costas (do adversário) assim. Você não tira alguém desses tipo de posições e os levanta. São (posições) muito dominantes”, analisou ‘DC’.
A repórter Laura Sanko, também presente na transmissão oficial do UFC Vegas 123, foi outra a condenar a decisão tomada pelo árbitro. A profissional ainda apontou que a razão por trás da ação de Miragliotta estava equivocada, uma vez que este tipo de interferência ocorre quando o mediador entende que há falta de competitividade entre os atletas em ação – o que, na opinião da analista, não era justificável, já que Moicano estava constantemente tentando encaixar um mata-leão para finalizar o combate.
“Aquilo (que Moicano estava fazendo) é ser ativo naquela posição. Você não consegue sentar lá e socar o tempo todo. Chegar naquele lugar é avançar sua posição no grappling. Aljamain Sterling estava desesperado (atrás de nós na plateia)”, ponderou Laura Sanko.
Contexto ignorado
O discurso contrário à decisão do mediador também esteve presente no programa pós-show, que contou com dois ex-lutadores nos comentários: Din Thomas e Alan Jouban. Apesar de entender que Tom Nolan, no final das contas, conseguiria sobreviver aos ataques de Renato Moicano no solo e levaria a melhor na trocação no restante da disputa, Thomas classificou a ação de Miragliotta como “questionável”.
“Eu tenho que dizer que levantá-los foi questionável. Eu não me surpreenderia se Moicano tentasse entrar com um recurso (para anular a derrota)”, declarou Din Thomas.
Por sua vez, Jouban foi mais enfático em sua crítica a Miragliotta. Em sua análise, o ex-lutador ressaltou que o contexto também deveria fazer parte da tomada de decisão dos árbitros em situações como essas. Neste caso, para ele, o fato de Renato Moicano ser um especialista em finalizações estando nas costas dos oponentes deveria ser mais um motivo para não puni-lo por uma suposta inatividade depois do mesmo ter conquistado uma posição de controle sobre o rival.
“Digamos que tem dois strikers com zero finalizações no currículo, e um deles pegou as costas do outro e você sente que não vai acontecer nada ali. Essa poderia ser uma razão mais plausível para levantá-los. Renato Moicano tem 11 finalizações, e todas as 11 finalizações vieram por mata-leão, e ele está nas costas de alguém. De jeito nenhum você pode mandá-los levantar. Isso mudou os rumos dessa luta, o momento da luta”, disparou Alan Jouban.
Apesar da enorme repercussão do caso e de grande parte da comunidade do MMA ter condenado a ação de Dan Miragliotta, Renato Moicano preferiu adotar um tom mais ameno no seu primeiro pronunciamento após a derrota para Tom Nolan no UFC Vegas 123. Sem entrar na polêmica, o ex-desafiante ao título peso-leve (70 kg) do Ultimate fez um mea-culpa e admitiu que sua performance foi abaixo do esperado, além de parabenizar seu algoz pela vitória.
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Fonte: AG Fight — leia o original
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