Melissa Amaya, do TUF 34, fala abertamente sobre saúde mental: 'Sentia que estava perdendo o juízo' — Federação de Jiu-Jitsu
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Melissa Amaya, do TUF 34, fala abertamente sobre saúde mental: 'Sentia que estava perdendo o juízo' — Federação de Jiu-Jitsu, Brazilian Jiu-Jitsu Federation

MMA Fighting 23/06/2026

Segundo o MMA Fighting, Melissa Amaya sempre soube, desde pequena, que nasceu para ser atleta. O que ela jamais imaginou foi que um dia teria de lutar pela própria vida dentro e fora do octógono. Participante da atual temporada do The Ultimate Fighter 34, Amaya causou boa impress...

Federação de Jiu-Jitsu: Segundo o MMA Fighting, Melissa Amaya sempre soube, desde pequena, que nasceu para ser atleta. O que ela jamais imaginou foi que um dia teria de lutar pela própria vida dentro e fora do octógono.

Participante da atual temporada do The Ultimate Fighter 34, Amaya causou boa impressão já na estreia do programa ao vencer Anna Melisano — primeira escolha do Team Michael Bisping — por finalização no primeiro round. A lutadora de 31 anos saiu da luta sorridente, um passo mais perto de conquistar um contrato com o UFC, e tem chamado atenção pelo temperamento alegre e positivo nos dois episódios já exibidos.

Nem sempre foi assim, porém. Amaya conviveu com momentos muito sombrios ao sofrer duas lesões graves no joelho ainda jovem: uma no ensino médio e outra na faculdade. Dedicada ao atletismo e ao basquete, ver esses sonhos serem interrompidos de forma tão cruel foi um golpe duro. Em entrevista, a competidora do TUF 34 na categoria palha abriu o coração sobre os desafios relacionados à saúde mental.

"Tudo começou quando eu tinha 16 anos", contou Amaya. "Acredito sinceramente que algo — não sei se foi a anestesia ou simplesmente uma mudança enorme — afetou meu corpo e meu cérebro. Com 16 anos, minha identidade inteira girava em torno dos esportes, do atletismo, de ser uma atleta de alto rendimento. No momento em que não pude mais fazer isso, comecei a sentir o que chamo de 'o azul'. É como naquele filme Halloweentown, quando tudo fica cinza — aquela tristeza sem forma que te toma de assalto de repente."

"Não existe nada que precipite isso. Não tem gatilho. Você pode estar em uma festa animada, cercada de família, e de repente tudo parece... biiiip... e você pensa: 'Não quero estar aqui.'"

No mundo das artes marciais mistas, atletas que falam abertamente sobre saúde mental costumam receber reações divididas. Estrelas do UFC como Paddy Pimblett, Joe Pyfer e o bicampeão dos médios Sean Strickland já expuseram suas dificuldades publicamente, mas o assunto ainda carrega certo tabu no esporte — e muitos atletas são orientados desde cedo a não tocar no tema.

Amaya não compactua com essa postura de silêncio.

"É muito interessante", disse ela. "Quando as pessoas falam: 'Nossa, você parece tão à vontade falando sobre isso.' Quer dizer que eu deveria ficar calada e me envergonhar?"

"Teve épocas em que eu chorava no banheiro antes do treino porque as lágrimas simplesmente saíam. Eu chamo de 'crises de choro'. Ficava pensando: 'O que está acontecendo? Por que não consigo me controlar?' Sentia que estava perdendo o juízo, mas continuava colocando um pé na frente do outro e pensando: os momentos difíceis passam, vai ficar bem. Falo sobre isso com a esperança de ajudar alguém — talvez do jeito que eu explico faça sentido para outra pessoa que esteja passando pela mesma coisa."

Na estreia da temporada, Amaya foi a terceira escolha do Team Daniel Cormier e a sexta no geral, quase ficando de fora da seleção — apenas oito das dez candidatas da categoria palha garantiram uma vaga. Com a vitória convincente sobre Melisano, ela justificou a aposta do treinador.

Amaya treina na Team Sikjitsu, em Spokane, Washington, e tem como uma de suas mentoras a bicampeã do UFC no peso-galo Julianna Peña — também sua principal confidente quando o assunto é saúde mental.

"Julianna e eu temos conversas muito profundas sobre isso", revelou Amaya. "Sinto que as duas passamos por experiências difíceis e nos apoiamos muito. Quando você fala sobre o que está sentindo com alguém que realmente entende, a reação não é pânico. É um riso leve e um 'Já passei por isso. Você vai ficar bem. A gente se apoia.' É muito bom."

"Meu técnico não entende da mesma forma, mas ele se aproxima com curiosidade, tenta compreender em vez de dizer que é frescura."

Com Amaya e Melisano sendo as primeiras a competir na temporada, as duas receberam bastante tempo de câmera — o que pode não se repetir para outras participantes. Questionada sobre o que gostaria que o público soubesse dela além do que foi exibido, Amaya deixou uma mensagem de encorajamento.

"Talvez não seja tanto sobre mim, mas tem muita gente que não levanta a mão porque os outros parecem mais confiantes e seguros. E aí a pessoa pensa: 'Bom, eu não me sinto assim, então não é meu lugar.' Mas é sim o seu lugar. É só questão de trabalhar duro e construir o seu próprio estilo. Você pode ser a primeira do seu próprio tipo. É isso que eu quero transmitir e é isso que estou tentando fazer — trilhar o meu próprio caminho. Espero que todo mundo faça o mesmo."

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando problemas de saúde mental, procure ajuda. No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo número 188 ou pelo site cvv.org.br, 24 horas por dia.

Fonte: MMA Fighting — leia o original

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