Enciclopédia do Jiu-Jitsu

Os Graus da Faixa — O Que São e Como Funcionam

Antes de trocar de cor, o praticante de Jiu-Jitsu acumula pequenas barras na ponta da faixa — os graus. Eles marcam o tempo dentro de uma cor sem, ainda, justificar a próxima. Entenda o que são os quatro graus, como funcionam na prática e por que a faixa preta tem uma lógica diferente de todas as outras.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 7 min de leitura

Aquelas barrinhas na ponta da faixa

Quem observa um treino de Jiu-Jitsu com atenção repara que nem toda faixa azul é igual: algumas têm a ponta lisa, outras têm uma, duas, três ou quatro pequenas barras costuradas ou fixadas perto da borda. Essas marcações são os graus — em inglês, "degrees" ou "stripes" — e representam a evolução do praticante dentro de uma mesma cor, antes de ele estar pronto para a próxima faixa.

O sistema existe porque uma faixa sozinha, sem subdivisões, deixaria um intervalo longo demais sem qualquer reconhecimento formal de progresso. Entre a faixa azul e a faixa roxa, por exemplo, podem se passar dois anos ou mais — tempo suficiente para o aluno evoluir enormemente sem, ainda, merecer a troca de cor. Os graus preenchem esse espaço.

Como funcionam os quatro graus em cada faixa colorida

Da faixa branca à faixa marrom, o modelo mais adotado prevê quatro graus intermediários por cor, cada um representado por uma barra na ponta da faixa. Isso significa que, entre uma cor e a próxima, existem até cinco "estágios" reconhecíveis: a cor "limpa" (0 grau) e depois 1º, 2º, 3º e 4º graus. Ao completar os critérios para o quinto reconhecimento, o praticante não ganha uma quinta barra — ele troca de faixa.

  1. Faixa sem grau (0): o início daquela cor, com a base técnica mínima já reconhecida na promoção anterior.
  2. 1º grau: primeira barra, geralmente concedida após alguns meses de treino consistente e evolução técnica perceptível.
  3. 2º grau: consolidação de um repertório mais amplo dentro daquela faixa, com maior domínio das posições centrais.
  4. 3º grau: o aluno já está próximo do nível esperado para a próxima cor, mas ainda em processo de refinamento.
  5. 4º grau: o último degrau antes da troca de faixa — nessa fase, o professor já está, normalmente, avaliando o momento certo da promoção.
Pela diretriz IBJJF vigente, os graus não têm um tempo mínimo obrigatório e padronizado entre si (diferente do tempo mínimo exigido para troca de cor) — a cadência de concessão de cada grau fica a critério do professor responsável, observando a evolução real do aluno.

Para que servem, na prática

Os graus cumprem pelo menos três funções práticas dentro de uma academia. Primeiro, funcionam como incentivo: reconhecer publicamente o esforço de um aluno a cada poucos meses mantém a motivação viva num processo que, de outra forma, levaria anos até o próximo marco visível. Segundo, servem como sinalização hierárquica sutil dentro do próprio grupo de faixas da mesma cor — em uma turma cheia de faixas azuis, por exemplo, um colega com quatro graus tende a ser mais experiente do que um colega com a faixa "limpa", ainda que ambos sejam tecnicamente "faixa azul".

Terceiro, e talvez o mais importante, os graus ajudam o próprio professor a organizar mentalmente o progresso de dezenas ou centenas de alunos ao mesmo tempo — sem eles, a decisão de trocar de faixa se tornaria um salto brusco, sem marcos intermediários que documentem a trajetória até ali.

A faixa preta é diferente: graus que já não são "pontas"

A lógica muda completamente a partir da faixa preta. Em vez de quatro graus rápidos separando uma cor da outra, a faixa preta tem a sua própria escala de dez graus — do 1º ao 10º —, cada um separando faixas de tempo muito mais longas, medidas em anos, não em meses. Pela diretriz IBJJF vigente, cada grau da faixa preta costuma exigir um intervalo mínimo de vários anos de dedicação contínua à arte, incluindo contribuição técnica, formação de alunos e, muitas vezes, reconhecimento da comunidade.

Do 1º ao 5º grau, a faixa preta ainda é representada apenas pelas barras na ponta, como nas cores anteriores. A partir do 6º grau, a tradição prevê uma mudança visual: a faixa preta ganha uma faixa vermelha central, e os graus seguintes (6º ao 10º) passam a ser marcados também por barras vermelhas, sinalizando visualmente a transição para o patamar de mestre. O 7º e 8º grau correspondem, na prática, à faixa coral (preta-e-vermelha); o 9º à faixa vermelha-e-branca; e o 10º grau, reservado por tradição aos fundadores históricos da arte, à faixa vermelha.

Um faixa-preta de 1º grau e um faixa-preta de 6º grau usam faixas visualmente diferentes — mas ambos são, tecnicamente, "faixa preta". A diferença de décadas de experiência entre eles é exatamente o que os graus da faixa preta existem para comunicar.

Quem concede um grau

A mesma lógica de autoridade que vale para a troca de cor vale para os graus: é o professor responsável, normalmente faixa-preta, quem avalia e concede cada barra. Não existe uma prova ou exame formal aplicado por terceiros para a concessão de um grau — é uma decisão baseada na observação contínua do aluno no dia a dia do treino. Para faixas-pretas de graus mais altos, o reconhecimento costuma envolver também federações e a comunidade mais ampla do Jiu-Jitsu, já que estamos falando de décadas de contribuição pública para a arte, e não apenas de evolução técnica individual.

Entender esse mecanismo ajuda a explicar por que a graduação no Jiu-Jitsu é, ao mesmo tempo, altamente pessoal (depende do olhar de quem ensina) e amplamente reconhecível (segue um padrão de cores e graus compartilhado internacionalmente). Os graus são a peça que torna esse equilíbrio possível.

Como o grau aparece fisicamente na faixa

Na maioria das academias, os graus são marcados por pequenas barras de tecido — em geral pretas, com exceção da própria faixa preta, cujos primeiros graus usam barras brancas — costuradas ou fixadas com fita adesiva reforçada na ponta da faixa, próximo à borda. Cada barra nova é posicionada ao lado das anteriores, formando uma fileira visível que qualquer colega de tatame consegue interpretar rapidamente. Esse pequeno detalhe visual cumpre uma função social importante: permite reconhecer, num único olhar, quem entre dois praticantes da mesma cor tem mais tempo e experiência acumulada, sem que seja preciso perguntar ou consultar qualquer documento.

Esse costume também varia um pouco entre escolas e países — algumas academias usam fita adesiva colorida em vez de tecido costurado, por praticidade, já que o grau é reavaliado com frequência; outras preferem o tecido costurado, mais duradouro, justamente para reforçar o caráter definitivo daquele reconhecimento. Nenhuma das duas formas é "mais oficial" que a outra: o que importa é o reconhecimento do professor por trás da marcação, não o material usado para representá-la.

Graus e frequência de treino: por que não existe uma fórmula fixa

Uma dúvida comum entre alunos novos é se existe uma fórmula — por exemplo, "um grau a cada seis meses" — que garanta a próxima barra automaticamente. Não existe, e isso é proposital. Se os graus seguissem um calendário fixo e automático, perderiam a função de reconhecer evolução técnica real, e se tornariam apenas um prêmio de participação por tempo de matrícula. Por isso, dois alunos que começaram no mesmo dia podem receber seus graus em ritmos bem diferentes, dependendo da frequência de treino, da qualidade da dedicação e da evolução técnica observada pelo professor.

Desconfie de academias que anunciam um cronograma fixo e garantido de graus (por exemplo, vinculado apenas ao pagamento de mensalidades) sem qualquer avaliação técnica real por trás. Isso esvazia o propósito original do sistema de graus, que é reconhecer progresso genuíno, não tempo de assinatura.

Perguntas Frequentes

Quantos graus existem em cada faixa colorida?

Da faixa branca à marrom, o modelo mais adotado prevê quatro graus (barras) por cor. Ao completar o critério para um quinto reconhecimento, o praticante troca de faixa em vez de ganhar uma quinta barra.

A faixa preta também tem quatro graus?

Não. A faixa preta tem sua própria escala, de 1º a 10º grau, com intervalos medidos em anos entre cada um — bem mais longos que os graus das cores anteriores. A partir do 6º grau, a faixa ganha uma faixa vermelha central.

Existe um tempo mínimo obrigatório entre um grau e outro?

Diferente da troca de cor, que segue tempos mínimos definidos pelo regulamento, a concessão de graus dentro da mesma cor costuma ficar a critério do professor, sem um intervalo mínimo padronizado e obrigatório entre cada barra.

Quem pode conceder um grau a um aluno?

A mesma autoridade que concede a troca de faixa: o professor faixa-preta responsável pela evolução técnica do aluno. Para graus altos da faixa preta, o reconhecimento costuma envolver também federações e a comunidade do Jiu-Jitsu.

Fontes

  1. [1] IBJJF Graduation System — sistema oficial de graduação da federação — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
  2. [2] Brazilian jiu-jitsu ranking system — verbete sobre a hierarquia de faixas e graus — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
  3. [3] BJJ Heroes — referência sobre história e graduação no Jiu-Jitsu — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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