Enciclopédia do Jiu-Jitsu

Como funciona a pontuação no Jiu-Jitsu?

Uma luta de Jiu-Jitsu pode terminar por finalização — mas a maioria não termina assim. Na ausência de uma submissão, quem decide o resultado é o placar: um sistema de pontos que recompensa quem avança de posição no chão e domina o adversário por tempo suficiente para provar controle real. Entenda como esse placar é construído, quanto vale cada posição e por que a regra existe.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 6 min de leitura

Por que o Jiu-Jitsu pontua posições, e não só finalizações

O objetivo original do Jiu-Jitsu, como arte marcial, é finalizar o adversário — obrigá-lo a desistir por uma chave ou estrangulamento. Mas numa competição esportiva, com tempo limitado e adversários de nível técnico parecido, boa parte das lutas de alto nível chega ao fim do cronômetro sem que ninguém finalize. Se a regra não previsse nada além da finalização, essas lutas terminariam empatadas o tempo todo, mesmo quando um atleta dominou claramente o outro do início ao fim.

Para resolver esse problema, o regulamento da IBJJF (a federação que estabeleceu o modelo de regras mais usado no Jiu-Jitsu esportivo mundial) criou um sistema de pontos: cada vez que um competidor consegue avançar para uma posição de domínio reconhecida — e mantém esse domínio por tempo suficiente para provar que é real, não acidental — ele soma pontos ao placar. Quem termina a luta com mais pontos vence, mesmo sem finalizar.

Esse sistema não é arbitrário: ele reflete a lógica interna do próprio Jiu-Jitsu. As posições que valem mais pontos são justamente as que colocam o atleta mais perto de uma finalização e deixam o adversário com menos opções de defesa. Entender a tabela de pontos é, portanto, também uma forma de entender qual é a hierarquia de domínio dentro da arte.

A hierarquia de posições: de 2 a 4 pontos

Pela regra IBJJF vigente, nem toda posição vale a mesma quantidade de pontos. Quanto mais dominante e mais perto de uma finalização a posição coloca o atleta, maior o valor em pontos. A seguir, a lógica por trás de cada etapa dessa hierarquia — da queda até a montada e as costas.

Queda (takedown) — 2 pontos

A luta em pé é o primeiro capítulo de qualquer combate de Jiu-Jitsu com queda permitida. Quando um atleta derruba o adversário — fazendo-o cair de costas, de lado ou sentado, a partir de uma projeção, raspagem em pé ou execução de judô — e assume ou mantém uma posição de vantagem por três segundos, a queda vale 2 pontos. É o primeiro degrau da hierarquia: tirar o combate do "zero a zero" em pé e levá-lo para o chão em vantagem.

Raspagem (sweep) — 2 pontos

Quando o atleta que está por baixo (na guarda, por exemplo) consegue inverter a posição e terminar por cima, controlando o adversário por três segundos, essa é uma raspagem — e também vale 2 pontos. A raspagem tem o mesmo peso da queda porque cumpre uma função equivalente na luta: transforma uma posição de desvantagem em uma de domínio. Também entra nessa categoria o joelho na barriga (knee on belly), quando o atleta imobiliza o tronco do adversário com o joelho e mantém controle por três segundos.

Passagem de guarda — 3 pontos

Passar a guarda significa neutralizar as pernas do adversário como barreira e chegar a uma posição de controle acima do tronco dele — sem que as pernas do oponente fiquem mais entre os dois corpos. É uma posição mais valiosa que a queda ou a raspagem (3 pontos) porque exige resolver, tecnicamente, o principal obstáculo defensivo do Jiu-Jitsu: a guarda. Assim como as demais posições, a passagem só vale ponto se for mantida por três segundos.

Montada e pegada de costas — 4 pontos cada

No topo da hierarquia estão a montada (o atleta senta sobre o tronco do adversário, com um joelho e um pé apoiados no chão) e a pegada de costas com os dois ganchos (pés) inseridos entre as coxas do adversário. Ambas valem 4 pontos — o valor mais alto do placar — porque colocam quem está por cima a um passo de uma finalização, com o adversário praticamente sem opções de escape imediato. Como nas demais posições, o controle precisa durar três segundos para o ponto ser confirmado.

Repare no padrão: queda e raspagem (que colocam o atleta "por cima", mas ainda com a guarda do adversário no meio) valem 2 pontos; passar a guarda (eliminar essa barreira) vale 3; e montada/costas (dominância quase total) valem 4. A régua de pontos é, na prática, uma régua de proximidade da finalização.

A regra da estabilização de 3 segundos

Nenhuma posição vale ponto no instante em que é alcançada — ela precisa ser controlada por, no mínimo, três segundos. Essa regra existe para evitar que passagens ou quedas de fração de segundo, sem controle real, sejam pontuadas como se fossem domínio consolidado. Se o adversário escapa antes dos três segundos completos, a ação pode, dependendo da leitura do árbitro, virar uma vantagem em vez de um ponto — mas não os dois pontos completos.

Essa janela de três segundos também é o que separa uma "quase-posição" de uma posição pontuada de verdade, e é o principal motivo pelo qual competidores treinam especificamente a habilidade de estabilizar (e não só de alcançar) uma posição dominante.

Pontuação no Jiu-Jitsu

IBJJF Rules — edição vigente 2026
Movimento Pontos O que precisa para valer
Queda 2 Derrubar o adversário e assumir posição de controle sobre ele
Raspagem 2 Inverter a posição a partir de baixo, assumindo o controle por cima
Joelho na barriga 2 Estabilizar o joelho sobre o abdômen do adversário, com controle
Passagem de guarda 3 Ultrapassar as pernas do adversário e estabilizar controle lateral por 3 segundos
Montada 4 Sentar sobre o tronco do adversário com controle total, por 3 segundos
Pegada de costas 4 Controlar as costas do adversário com pelo menos um gancho, por 3 segundos

Regra geral IBJJF: toda posição pontuável precisa ser estabilizada por, no mínimo, 3 segundos para o árbitro validar o ponto. A luta termina antes do tempo regulamentar em caso de finalização — nesse caso, o placar de pontos deixa de valer.

Placar didático do Jiu-Jitsu mostrando os valores de 2, 3 e 4 pontos por posição PLACAR — VALOR POR POSIÇÃO 2 PONTOS Queda Raspagem Joelho na barriga 3 PONTOS Passagem de guarda 4 PONTOS Montada Pegada de costas Toda posição exige 3s de estabilização para valer o ponto

Um exemplo prático de placar

Imagine uma luta em que o Atleta A derruba o Atleta B (2 pontos), o Atleta B se recupera e, na sequência, passa a guarda de A (3 pontos), e por fim assume a montada e a mantém por mais de três segundos (4 pontos). Mesmo tendo sofrido a queda inicial, o Atleta B termina a luta com 7 pontos contra 2 do Atleta A — e vence, mesmo sem finalizar.

Esse exemplo mostra por que "quem caiu primeiro" ou "quem atacou mais vezes" não é o critério — o que importa é quem, ao final, conseguiu consolidar as posições de maior valor e mantê-las pelo tempo mínimo exigido pela regra.

Erros que custam pontos

  • Soltar a posição alguns instantes antes de completar os três segundos de estabilização — a ação pode virar vantagem em vez de ponto completo.
  • Passar a guarda mas deixar uma perna do adversário voltar para o meio do corpo antes da estabilização, o que pode anular a passagem.
  • Confundir "estar por cima" com montada válida: sem o joelho e o pé apoiados corretamente sobre o tronco, a posição pode não ser reconhecida como montada.
  • Achar que pegar as costas sem os dois ganchos inseridos já garante o ponto — sem os ganchos (ou gancho + corpo estável, conforme a leitura do árbitro), a posição pode ficar só como tentativa.
  • Relaxar o controle depois de pontuar, permitindo que o adversário rasp ou passe de volta e vire o placar na sequência.

O que a pontuação não substitui

Vale reforçar: o sistema de pontos existe para julgar lutas que não terminam em finalização. Se um atleta finaliza o adversário a qualquer momento da luta — mesmo perdendo no placar até aquele instante — a luta acaba ali e ele vence, independentemente da pontuação acumulada. A tabela de pontos é um critério de desempate técnico para quando a finalização não acontece, não uma substituição dela.

Perguntas Frequentes

Quantos pontos vale uma queda no Jiu-Jitsu?

Pela regra IBJJF vigente, uma queda (takedown) vale 2 pontos, desde que o atleta que derruba o adversário mantenha uma posição de vantagem por, no mínimo, três segundos após a queda.

Montada e pegada de costas valem o mesmo tanto de pontos?

Sim. Tanto a montada quanto a pegada de costas com os dois ganchos inseridos valem 4 pontos cada — o valor mais alto da tabela, por serem as posições mais próximas de uma finalização.

Por que a passagem de guarda vale mais que a queda e a raspagem?

Porque passar a guarda resolve a principal barreira defensiva do Jiu-Jitsu — as pernas do adversário entre os dois corpos. Isso representa um nível de domínio técnico maior do que simplesmente derrubar ou raspar, por isso vale 3 pontos em vez de 2.

Se eu passar a guarda mas perder a posição em menos de três segundos, ganho o ponto?

Normalmente não. A regra de estabilização de três segundos existe justamente para isso: sem completar o tempo mínimo de controle, a ação tende a ser lida como uma tentativa (podendo gerar uma vantagem), e não como uma passagem completa e pontuada.

Fontes

  1. [1] IBJJF Rule Book — regulamento oficial de pontuação — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
  2. [2] IBJJF Help Desk — Rules (referência de regras oficiais) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
  3. [3] BJJ Heroes — Guia de regras do Jiu-Jitsu esportivo — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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