Chaves de Braço
Americana
Com o braço do adversário dobrado em formato de "L" e o pulso preso entre as duas mãos, a americana é uma das primeiras finalizações de cima ensinadas no Jiu-Jitsu — dificuldade moderada, presente desde a Faixa Branca, e um dos golpes mais eficientes a partir do controle lateral.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
A americana — também chamada de keylock, "chave em L" ou, no judô, ude-garami — é uma finalização que ataca o ombro do adversário isolando um dos braços dele, dobrado a noventa graus como a letra "L", com o pulso preso entre as duas mãos do atacante e o cotovelo apoiado no chão. É, junto do armlock, uma das primeiras finalizações ensinadas a praticantes Faixa Branca, sobretudo por nascer de uma posição que eles já treinam bastante desde o início: o controle lateral.
A técnica costuma ser confundida com o kimura, sua "prima" mais famosa, mas a diferença é simples e objetiva: se o antebraço do adversário aponta para baixo, em direção ao próprio quadril, a chave é um kimura; se o antebraço aponta para cima, em direção à própria cabeça, a chave é uma americana. Ambas atacam o mesmo conjunto de estruturas — ombro, cotovelo e, em menor grau, o pulso — mas por ângulos de rotação opostos.
Historicamente, assim como o kimura, a americana parece ter raízes no judô e na luta catch-as-catch-can do início do século XX, chegando ao Jiu-Jitsu Brasileiro por meio de judocas japoneses e lutadores de luta livre profissional que passaram pelo Brasil em turnês naquele período. É aplicada com mais frequência a partir do controle lateral, mas também aparece com facilidade a partir da montada e do norte-sul, sempre que um braço do adversário fica isolado e apoiado no chão.
O nome "americana" é curioso porque, apesar de descrever uma técnica de origem japonesa e europeia, ficou associado nos Estados Unidos e no Brasil a essa variante específica do keylock — possivelmente por conta da popularização do golpe entre lutadores norte-americanos de catch wrestling que circularam pelo Brasil no início do século XX. Já o nome kimura, para a variante irmã, só surgiu décadas depois, batizado em homenagem ao judoca Masahiko Kimura após um confronto lendário em 1951.
Como aplicar a americana
Isolamento do braço
A partir do controle lateral, identifique o braço do adversário mais próximo do chão — geralmente o que ele usa para tentar empurrar ou criar espaço — e prenda o pulso dele com as duas mãos.
Cotovelo colado no chão
Mantenha o cotovelo do adversário colado no chão durante todo o processo — é essa referência fixa que garante que a rotação seguinte ataque o ombro, e não simplesmente puxe o braço para longe.
Formar o "L"
Posicione o antebraço dele perpendicular ao braço, formando um ângulo reto — essa é a postura de "L" que dá nome popular à técnica e que prepara o pulso para o giro final.
Passar o próprio braço por baixo do cotovelo
Deslize seu próprio braço por baixo do cotovelo do adversário, formando uma "figura 4" com os dois braços — o seu prendendo o dele desde a base do antebraço até o pulso.
Travar as mãos
Feche a própria mão sobre o próprio pulso (ou sobre a mão que já segura o pulso dele), completando a trava em figura 4 que vai sustentar toda a pressão da chave.
Giro em arco
Gire o pulso do adversário em um arco, como se estivesse "desenhando" a letra S no ar, elevando o cotovelo dele apenas o suficiente para tensionar o ombro — sem tirá-lo totalmente do chão de forma brusca.
Pressão progressiva
Aumente a pressão de forma lenta e constante, mantendo o peso do peito sobre o adversário para que ele não consiga girar o corpo e aliviar a tensão no ombro.
Erros comuns
- Deixar o cotovelo do adversário sair do chão cedo demais, perdendo a referência fixa que sustenta a alavanca.
- Girar o pulso rapidamente, sem ter estabelecido bem o controle prévio do braço.
- Perder o peso do peito sobre o adversário durante a chave, dando espaço para ele girar e escapar.
- Confundir a direção do antebraço e aplicar sem perceber um kimura no lugar de uma americana (ou o contrário).
- Aplicar a rotação final de forma explosiva, em vez de progressiva e controlada.
Segurança
Variações e encadeamentos
A americana é ensinada quase sempre em conjunto com o 100 Kg / Side Control, já que a maioria das aplicações nasce diretamente do braço isolado durante a disputa de cross-face nessa posição. Também aparece com frequência a partir da Montada, quando o adversário apoia um braço no peito do atacante para tentar criar espaço, e a partir do Norte-Sul, embora nesse caso o ângulo de entrada exija um ajuste diferente de quadril. Se o adversário reage girando o pulso para dentro (o chamado "hitchhiker grip", protegendo o ombro), a resposta natural do atacante é soltar a americana e girar o próprio corpo para o mesmo lado, buscando o kimura — uma troca de chave que ataca o mesmo braço, porém pela direção oposta.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre americana e kimura?
A diferença está na direção do antebraço do adversário: se ele aponta para baixo, em direção ao quadril, é um kimura; se aponta para cima, em direção à cabeça, é uma americana. As duas atacam o mesmo ombro, mas por rotações opostas.
De quais posições dá para aplicar a americana?
A mais comum é o controle lateral (side control), mas ela também sai bem da montada e do norte-sul, sempre que um dos braços do adversário fica isolado e apoiado no chão, próximo ao corpo do atacante.
A americana é permitida em todas as faixas?
Sim — diferente das chaves de perna, que têm restrições por faixa e idade na regra da IBJJF, as chaves de braço e de ombro como a americana são permitidas em todas as faixas adultas, sem restrição adicional.
A americana é perigosa?
Como toda chave articular, pode lesionar se aplicada de forma brusca e sem pausa — o risco principal é no ombro. Aplicada com pressão progressiva e respeitando o momento em que o parceiro bate, é uma das finalizações mais seguras e didáticas do Jiu-Jitsu.
Por que a americana costuma ser ensinada antes do kimura?
Porque a mecânica de isolar o pulso e usar o cotovelo como referência fixa no chão é mais simples de sentir com o antebraço apontando para cima; depois de dominar esse padrão, a transição para o ângulo do kimura costuma ser natural para a maioria dos praticantes.
Fontes
- [1] Americana Lock (Submission) — mecânica, história e diferença para o kimura — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
- [2] Armlock — categoria geral de chaves de braço nas lutas agarradas — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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