Chaves de Braço

Americana

★★☆☆☆
Faixa Branca

Com o braço do adversário dobrado em formato de "L" e o pulso preso entre as duas mãos, a americana é uma das primeiras finalizações de cima ensinadas no Jiu-Jitsu — dificuldade moderada, presente desde a Faixa Branca, e um dos golpes mais eficientes a partir do controle lateral.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 5 min de leitura

Vídeo desta técnica em breve

Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.

A americana — também chamada de keylock, "chave em L" ou, no judô, ude-garami — é uma finalização que ataca o ombro do adversário isolando um dos braços dele, dobrado a noventa graus como a letra "L", com o pulso preso entre as duas mãos do atacante e o cotovelo apoiado no chão. É, junto do armlock, uma das primeiras finalizações ensinadas a praticantes Faixa Branca, sobretudo por nascer de uma posição que eles já treinam bastante desde o início: o controle lateral.

A técnica costuma ser confundida com o kimura, sua "prima" mais famosa, mas a diferença é simples e objetiva: se o antebraço do adversário aponta para baixo, em direção ao próprio quadril, a chave é um kimura; se o antebraço aponta para cima, em direção à própria cabeça, a chave é uma americana. Ambas atacam o mesmo conjunto de estruturas — ombro, cotovelo e, em menor grau, o pulso — mas por ângulos de rotação opostos.

Historicamente, assim como o kimura, a americana parece ter raízes no judô e na luta catch-as-catch-can do início do século XX, chegando ao Jiu-Jitsu Brasileiro por meio de judocas japoneses e lutadores de luta livre profissional que passaram pelo Brasil em turnês naquele período. É aplicada com mais frequência a partir do controle lateral, mas também aparece com facilidade a partir da montada e do norte-sul, sempre que um braço do adversário fica isolado e apoiado no chão.

O nome "americana" é curioso porque, apesar de descrever uma técnica de origem japonesa e europeia, ficou associado nos Estados Unidos e no Brasil a essa variante específica do keylock — possivelmente por conta da popularização do golpe entre lutadores norte-americanos de catch wrestling que circularam pelo Brasil no início do século XX. Já o nome kimura, para a variante irmã, só surgiu décadas depois, batizado em homenagem ao judoca Masahiko Kimura após um confronto lendário em 1951.

Como aplicar a americana

1

Isolamento do braço

A partir do controle lateral, identifique o braço do adversário mais próximo do chão — geralmente o que ele usa para tentar empurrar ou criar espaço — e prenda o pulso dele com as duas mãos.

2

Cotovelo colado no chão

Mantenha o cotovelo do adversário colado no chão durante todo o processo — é essa referência fixa que garante que a rotação seguinte ataque o ombro, e não simplesmente puxe o braço para longe.

3

Formar o "L"

Posicione o antebraço dele perpendicular ao braço, formando um ângulo reto — essa é a postura de "L" que dá nome popular à técnica e que prepara o pulso para o giro final.

4

Passar o próprio braço por baixo do cotovelo

Deslize seu próprio braço por baixo do cotovelo do adversário, formando uma "figura 4" com os dois braços — o seu prendendo o dele desde a base do antebraço até o pulso.

5

Travar as mãos

Feche a própria mão sobre o próprio pulso (ou sobre a mão que já segura o pulso dele), completando a trava em figura 4 que vai sustentar toda a pressão da chave.

6

Giro em arco

Gire o pulso do adversário em um arco, como se estivesse "desenhando" a letra S no ar, elevando o cotovelo dele apenas o suficiente para tensionar o ombro — sem tirá-lo totalmente do chão de forma brusca.

7

Pressão progressiva

Aumente a pressão de forma lenta e constante, mantendo o peso do peito sobre o adversário para que ele não consiga girar o corpo e aliviar a tensão no ombro.

Erros comuns

  • Deixar o cotovelo do adversário sair do chão cedo demais, perdendo a referência fixa que sustenta a alavanca.
  • Girar o pulso rapidamente, sem ter estabelecido bem o controle prévio do braço.
  • Perder o peso do peito sobre o adversário durante a chave, dando espaço para ele girar e escapar.
  • Confundir a direção do antebraço e aplicar sem perceber um kimura no lugar de uma americana (ou o contrário).
  • Aplicar a rotação final de forma explosiva, em vez de progressiva e controlada.

Segurança

A americana ataca o ombro, uma articulação com estruturas (manguito rotador, cápsula articular) mais sensíveis do que o cotovelo do armlock — a lesão pode acontecer rápido se a pressão for aplicada de uma vez, sem pausa. A regra de ouro continua sendo bater cedo, ao primeiro sinal real de desconforto, e quem aplica deve sempre progredir a pressão devagar, parando no instante em que o parceiro sinalizar.

Variações e encadeamentos

A americana é ensinada quase sempre em conjunto com o 100 Kg / Side Control, já que a maioria das aplicações nasce diretamente do braço isolado durante a disputa de cross-face nessa posição. Também aparece com frequência a partir da Montada, quando o adversário apoia um braço no peito do atacante para tentar criar espaço, e a partir do Norte-Sul, embora nesse caso o ângulo de entrada exija um ajuste diferente de quadril. Se o adversário reage girando o pulso para dentro (o chamado "hitchhiker grip", protegendo o ombro), a resposta natural do atacante é soltar a americana e girar o próprio corpo para o mesmo lado, buscando o kimura — uma troca de chave que ataca o mesmo braço, porém pela direção oposta.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre americana e kimura?

A diferença está na direção do antebraço do adversário: se ele aponta para baixo, em direção ao quadril, é um kimura; se aponta para cima, em direção à cabeça, é uma americana. As duas atacam o mesmo ombro, mas por rotações opostas.

De quais posições dá para aplicar a americana?

A mais comum é o controle lateral (side control), mas ela também sai bem da montada e do norte-sul, sempre que um dos braços do adversário fica isolado e apoiado no chão, próximo ao corpo do atacante.

A americana é permitida em todas as faixas?

Sim — diferente das chaves de perna, que têm restrições por faixa e idade na regra da IBJJF, as chaves de braço e de ombro como a americana são permitidas em todas as faixas adultas, sem restrição adicional.

A americana é perigosa?

Como toda chave articular, pode lesionar se aplicada de forma brusca e sem pausa — o risco principal é no ombro. Aplicada com pressão progressiva e respeitando o momento em que o parceiro bate, é uma das finalizações mais seguras e didáticas do Jiu-Jitsu.

Por que a americana costuma ser ensinada antes do kimura?

Porque a mecânica de isolar o pulso e usar o cotovelo como referência fixa no chão é mais simples de sentir com o antebraço apontando para cima; depois de dominar esse padrão, a transição para o ângulo do kimura costuma ser natural para a maioria dos praticantes.

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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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