Estrangulamentos
Anaconda Choke
Nascido do front headlock clássico do wrestling, o Anaconda Choke não se contenta em apertar: ele enrola o braço e o pescoço do adversário como uma serpente e ainda usa o próprio corpo do atacante, rolando por cima, para fechar a finalização — um dos golpes mais estudados do repertório moderno de no-gi.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O que é o Anaconda Choke
O Anaconda Choke é um estrangulamento da família do front headlock: o atacante envolve o pescoço do adversário e, ao mesmo tempo, prende o braço mais próximo dele por baixo da axila, fechando as duas mãos numa pegada firme (gable grip) do lado de fora. A diferença que torna o golpe único não está apenas na pegada, mas no movimento final — em vez de simplesmente apertar parado, o atacante rola o próprio corpo para o mesmo lado do braço capturado, jogando o peso e a rotação do tronco contra o pescoço do adversário enquanto o leva ao chão.
O nome é uma referência direta ao movimento de constrição de uma sucuri: o laço não aperta de uma vez só, mas vai se fechando enquanto envolve e imobiliza o corpo da presa. Assim como a Guilhotina e o D'Arce, o Anaconda pertence à mesma grande família de golpes conhecida como "front headlock system" — um conjunto de finalizações que nascem todas da mesma posição de controle de cabeça, mudando apenas o caminho que o braço percorre e a direção do giro final.
A raiz do golpe está no wrestling americano, onde o controle de front headlock já era usado havia décadas como ferramenta de domínio posicional, sem necessariamente terminar em finalização. Foi na virada dos anos 2000 para o no-gi e o submission grappling, com a fusão entre wrestlers e praticantes de Jiu-Jitsu, que esse controle ganhou um final estrangulador consistente. O nome e a popularização do Anaconda como técnica batizada e ensinada de forma sistemática são comumente associados à cena do 10th Planet Jiu-Jitsu, sistema criado por Eddie Bravo, que também batizou a posição final do golpe — o momento em que o atacante termina deitado de costas, com o adversário preso e imobilizado por cima — de "Mission Control", termo hoje usado em academias de no-gi do mundo inteiro, independentemente do sistema que ensina.
Por depender de um giro de corpo coordenado com a pegada das mãos — e não apenas de força de braço — o Anaconda Choke costuma ser ensinado a partir da faixa roxa, quando o aluno já entende bem os fundamentos do front headlock e consegue coordenar a rolagem sem perder a pegada pelo caminho. É um golpe especialmente valorizado no no-gi, onde a ausência do kimono torna os controles de cabeça e braço ainda mais centrais ao jogo de finalizações em pé e na transição para o chão.
Como aplicar
Estabeleça o front headlock
A partir de uma tentativa de queda do adversário, de um scramble ou de um sprawl, controle a cabeça dele por baixo do seu braço, com o pescoço preso entre o bíceps e o antebraço.
Capture o braço mais próximo
Passe o mesmo braço que controla o pescoço por baixo da axila do braço dele que está mais próximo do seu corpo, prendendo pescoço e braço no mesmo laço.
Feche a pegada gable grip
Entrelace as duas mãos do lado de fora, na altura do bíceps do braço capturado, fechando o laço ao redor de pescoço e braço ao mesmo tempo.
Puxe para cima antes de rolar
Erga os cotovelos e puxe a cabeça do adversário para cima, apertando o laço, antes de iniciar qualquer movimento de giro — rolar cedo demais, sem pressão prévia, costuma abrir espaço para ele escapar.
Role para o lado do braço capturado
Gire o próprio corpo na direção do braço que está preso dentro do laço, deixando-se cair de costas no chão e levando o adversário junto, sempre mantendo a pegada fechada durante todo o giro.
Chegue à posição Mission Control
Termine deitado de costas, com o adversário preso por cima, o laço ainda fechado ao redor do pescoço e do braço dele — essa é a posição final característica do golpe.
Ajuste as pernas e finalize
Use as pernas para travar o quadril do adversário e impedir que ele se reorganize, enquanto puxa os braços na direção do próprio peito para fechar os últimos centímetros do estrangulamento.
Erros comuns
- Rolar para o chão antes de fechar bem a pegada gable grip, permitindo que o adversário tire o braço do laço durante o próprio giro.
- Capturar o braço errado ou capturá-lo frouxo, sem prendê-lo firme junto ao pescoço dentro do mesmo abraço.
- Perder o controle das pernas depois de chegar à posição Mission Control, deixando o adversário reorganizar a base e escapar da pressão.
- Girar para o lado contrário ao do braço capturado, o que quebra a mecânica do golpe e facilita a defesa dele.
- Depender só da força das mãos para apertar, sem usar o peso do corpo e a rotação do tronco durante o giro final.
Segurança
Encadeamentos
O Anaconda nasce quase sempre da mesma origem que a Guilhotina tradicional — a cabeça baixa do adversário durante uma queda ou um scramble — e por isso os dois golpes competem pelo mesmo momento de oportunidade: se o atacante percebe que não vai conseguir capturar o braço a tempo, a saída mais natural é simplesmente terminar numa Guilhotina comum. Quando o adversário resiste bem à captura do braço e consegue tirá-lo do laço antes do giro, a posição costuma reverter para uma disputa de front headlock em pé, muito próxima da base usada no Sprawl (Defesa de Queda) por quem inicialmente tentou a entrada. Já quando o braço capturado fica isolado e esticado durante a disputa, alguns atacantes preferem abandonar o estrangulamento e migrar para o D'Arce (Brabo Choke), que ataca a mesma estrutura de pescoço e braço por um caminho ligeiramente diferente, terminando com um giro para o lado oposto.
Fora do contexto competitivo, o Anaconda também costuma aparecer como resposta direta a defesas malfeitas de outros golpes de front headlock: um adversário que empurra a cabeça para o lado errado tentando escapar de uma Guilhotina, por exemplo, frequentemente entrega justamente o ângulo de braço necessário para o atacante fechar um Anaconda no lugar.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre o Anaconda Choke e o D'Arce (Brabo Choke)?
Os dois pertencem à mesma família de front headlock e prendem pescoço e braço juntos, mas o caminho do braço e a direção do giro final mudam: no Anaconda, o atacante gira para o mesmo lado do braço capturado e termina na posição Mission Control; no D'Arce, o braço percorre um caminho diferente por baixo da axila e o giro final costuma ser para o lado oposto.
O que é a posição "Mission Control"?
É o nome popularizado pelo 10th Planet Jiu-Jitsu para a posição final do Anaconda Choke, em que o atacante termina deitado de costas no chão, com o adversário preso e imobilizado por cima dentro do próprio laço do estrangulamento.
O Anaconda Choke funciona no Jiu-Jitsu com kimono?
Sim, embora seja mais associado ao no-gi — a mecânica de front headlock e a pegada gable grip não dependem do tecido do kimono, mas o golpe é mais estudado e usado no contexto sem gi, onde os controles de cabeça e braço têm papel ainda mais central.
Por que o Anaconda é ensinado só a partir da faixa roxa?
Porque exige coordenar a pegada firme com um giro de corpo controlado, incluindo a queda conjunta com o adversário — uma combinação de timing e consciência corporal que costuma amadurecer depois que o aluno já domina bem os fundamentos do front headlock.
Fontes
- [1] Anaconda choke — descrição técnica e origem no front headlock do wrestling — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] BJJ Heroes — enciclopédia de técnicas e biografias do Jiu-Jitsu — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (referência de regras oficiais) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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