Chaves de Perna
Heel Hook Interno (Inside Heel Hook)
O heel hook interno — inside heel hook — é a variação mais estudada de toda a família de heel hooks, aplicada a partir da posição conhecida como "saddle" ou inside sankaku, com a perna do adversário encaixada entre as pernas do atacante. É a espinha dorsal do sistema moderno de ataque de pernas no no-gi, popularizado por John Danaher e sua equipe. Dificuldade 5, reservada à Faixa Marrom e Preta, e permitida pela regra vigente da IBJJF apenas em competições sem kimono.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O heel hook interno — inside heel hook — é a chave de perna em que o atacante encaixa a perna do adversário entre as próprias pernas, numa posição de controle conhecida popularmente como "saddle" (sela) ou inside sankaku, e a partir dali captura o calcanhar para aplicar uma rotação forte sobre o pé. Assim como o heel hook externo, a torção não fica isolada no tornozelo: ela transfere torque diretamente para os ligamentos internos do joelho — em especial o ligamento colateral e o cruzado — o que torna essa família de golpes uma das mais perigosas de todo o Jiu-Jitsu. A posição "saddle" se tornou, na última década, a base de entrada mais estudada de todo o jogo de pernas moderno, por oferecer ao atacante um controle de quadril e de joelho muito superior ao de posições de leg lock mais antigas.
O heel hook interno é, mais do que qualquer outra chave de perna, o símbolo da revolução das leg locks que redesenhou o Jiu-Jitsu sem kimono a partir de meados dos anos 2010. O sistema que colocou o "saddle" no centro do jogo de pernas foi sistematizado por John Danaher e difundido pelo grupo de atletas que ficou conhecido como Danaher Death Squad (DDS) — Gordon Ryan, Garry Tonon, Eddie Cummings, Craig Jones, entre outros —, que passaram a vencer campeonatos de altíssimo nível, incluindo o ADCC, com sequências inteiras construídas em torno da entrada nessa posição seguida do heel hook interno. O impacto foi tão grande que hoje praticamente todo atleta competitivo de no-gi de alto nível dedica parte relevante do treino especificamente a esse sistema.
A técnica é indicada quando o atacante consegue encaixar a perna do adversário na posição "saddle" durante uma disputa de guarda de pernas ou uma tentativa de passagem — a entrada costuma acontecer a partir de guardas de perna avançadas, como variações de ashi garami, ou durante rolamentos de berimbolo e entradas de guarda de 50/50 que evoluem para um controle mais profundo. Pela regra vigente da IBJJF, o heel hook interno é permitido apenas para atletas adultos de Faixa Marrom e Preta, e apenas em competições sem kimono (no-gi). No Jiu-Jitsu com kimono, o heel hook — interno ou externo — segue proibido para todas as faixas, incluindo a preta, sendo uma das poucas técnicas do regulamento em que a graduação máxima, isoladamente, não libera o golpe.
É essencial entender que essa restrição de regra reflete diretamente o risco biomecânico da técnica. O joelho é uma articulação muito mais complexa e menos sensível a avisos precoces de dor do que o cotovelo ou o tornozelo, o que significa que o heel hook interno pode gerar dano ligamentar real bem antes de o defensor sentir qualquer desconforto que o faça reagir a tempo. Por isso, mesmo em contextos de competição em que a técnica é tecnicamente legal, a cultura de treino ao redor do heel hook interno costuma ser mais rígida e mais cautelosa do que a de qualquer outra família de finalização do Jiu-Jitsu.
Como aplicar
Entrada no saddle (inside sankaku)
Encaixe a perna do adversário entre as suas próprias pernas, formando a posição "saddle", com o joelho dele imobilizado e o pé livre para ser trabalhado.
Controle do quadril
Ajuste o próprio quadril colado ao dele, eliminando o espaço que permitiria ao adversário girar o corpo e escapar do ângulo de controle.
Isolamento do pé
Traga o pé do adversário para perto do seu corpo, reduzindo a distância de alavanca que ele poderia usar para aliviar a pressão sobre o tornozelo.
Captura do calcanhar
Capture o calcanhar com as duas mãos, formando uma pegada firme e simétrica, mantendo o antebraço junto ao osso do calcanhar e não apenas sobre o pé.
Alinhamento do corpo
Alinhe o próprio tronco e quadril na direção da rotação pretendida antes de aplicar qualquer força, garantindo que a posição — e não a explosão — sustente a técnica.
Rotação gradual e comunicada
Aplique a rotação de forma lenta e progressiva em treino, checando constantemente a reação do parceiro, nunca em um único movimento explosivo.
Soltura imediata ao tap
Ao primeiro sinal de tap ou de qualquer resistência do parceiro, solte a pegada instantaneamente — essa é a técnica do repertório em que menos margem existe para "mais um pouco".
Erros comuns
- Aplicar a rotação de forma explosiva mesmo em treino, sem dar tempo de reação para o parceiro perceber e bater.
- Perder o controle do quadril, permitindo que o adversário gire o corpo e escape da posição "saddle" antes da finalização.
- Confiar na dor como sinal de alerta — no heel hook interno, o dano ao joelho pode ocorrer antes de qualquer aviso perceptível.
- Achar que a posição "saddle" por si só já autoriza a finalização em qualquer contexto de faixa ou modalidade.
- Treinar a técnica com parceiros sem experiência específica em leg locks, sem combinar previamente ritmo e limites.
Segurança
Encadeamentos
O heel hook interno compartilha a lógica de ataque com o heel hook externo — o que muda é o lado do corpo em que o atacante se posiciona em relação à perna do adversário, o que altera o ângulo da rotação e a defesa correta. É comum que a entrada no "saddle" aconteça a partir de uma disputa de 50/50 (ver escape da 50/50, evitar a chave de perna) que evolui para um controle mais profundo, ou que, quando o adversário consegue reagir a tempo, a disputa retorne para essa mesma posição neutra. A chave de perna com reap aparece com frequência combinada ao heel hook interno, já que o cruzamento da perna do atacante sobre o joelho do adversário reforça o controle posicional necessário para manter a captura do calcanhar — combinação que carrega a mesma restrição de faixa e modalidade que o heel hook isolado. Do lado defensivo, o estudo obrigatório é a defesa de heel hook (girar com a pressão), que ensina o princípio de acompanhar a rotação em vez de resistir de frente a ela. Antes de avançar para essa técnica, a maioria dos professores recomenda que o praticante já domine bem a mecânica mais simples e linear da chave de pé reta, entendendo o princípio básico de uma chave de perna antes de estudar uma torção rotacional.
Perguntas Frequentes
O que é a posição "saddle" no heel hook interno?
É a posição de controle em que o atacante encaixa a perna do adversário entre as próprias pernas, também chamada de inside sankaku, oferecendo um controle de quadril e joelho muito superior ao de posições de leg lock mais antigas — é a base de entrada mais estudada do jogo de pernas moderno.
Posso aplicar heel hook interno numa competição de kimono?
Não. Pela regra vigente da IBJJF, o heel hook — interno ou externo — é proibido em competições de kimono para todas as faixas, incluindo a preta. Ele só é permitido em competições sem kimono (no-gi), e mesmo assim apenas para Faixa Marrom e Preta.
Por que o heel hook interno é tão associado ao no-gi moderno?
Porque o sistema de ataque de pernas construído em torno da posição "saddle", sistematizado por John Danaher e sua equipe a partir de meados dos anos 2010, colocou essa técnica no centro do jogo competitivo de alto nível, especialmente em torneios como o ADCC.
Posso treinar heel hook sendo Faixa Branca?
Não é recomendado. É uma técnica de altíssimo risco que exige experiência específica em leg locks e supervisão direta de um instrutor qualificado. A maioria das academias reserva o treino estruturado dessa família de golpes para faixas mais avançadas, justamente pela dificuldade de reconhecer o limite de segurança sem experiência prévia.
Fontes
- [1] Leglock — categoria geral de chaves de perna, incluindo heel hook — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] BJJ Heroes — enciclopédia de técnicas e biografias do Jiu-Jitsu — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (restrições de chaves de perna por faixa e modalidade) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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