Judô
O Goshi
O Goshi é o arquétipo da queda de quadril: encaixar o próprio corpo abaixo do centro de gravidade do adversário e projetá-lo por cima do quadril, quase sem esforço quando o encaixe está certo. Indicada desde a Faixa Branca, com dificuldade moderada, ela é a base de onde nascem quase todas as outras quedas de koshi-waza do Judô.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O Goshi (大腰, "grande quadril") é uma das técnicas mais tradicionais do Kodokan, catalogada entre os 40 arremessos originais do Gokyo de Jigoro Kano e considerada por muitos professores a porta de entrada para toda a família de quedas de quadril (koshi-waza). No Jiu-Jitsu, ela chegou pela mesma linhagem que trouxe o Judô de Mitsuyo Maeda ao Brasil: como o jogo em pé do Jiu-Jitsu herdou boa parte do seu repertório do Judô, o O Goshi permanece como uma das primeiras quedas de quadril ensinadas a qualquer aluno.
Mecanicamente, o O Goshi pertence à família koshi-waza (técnicas de quadril): em vez de atacar as pernas do adversário como uma ceifa ou uma varredura, o atacante gira o próprio corpo para dentro, encaixa o quadril abaixo do centro de gravidade dele e o projeta por cima, usando o quadril como alavanca. É uma técnica que recompensa quem entende de quebra de postura e de encaixe correto de quadril mais do que força de braço — por isso costuma frustrar iniciantes até o dia em que o encaixe "clica".
No Jiu-Jitsu, a adaptação passa pela pegada de kimono: a gola e a manga substituem os grips clássicos de judogi de competição, servindo tanto para quebrar a postura do adversário para frente quanto para guiá-lo por cima do quadril já encaixado. É especialmente eficaz contra adversários que avançam com o peso à frente ou que resistem empurrando o atacante, já que esse empurrão facilita o giro de entrada. Pela regra IBJJF vigente, a queda controlada e finalizada em posição de vantagem vale 2 pontos, e um O Goshi limpo — que tira os dois pés do adversário do chão — costuma ser um dos exemplos mais claros de execução completa para o árbitro.
Vale a pena notar que o O Goshi costuma ser a primeira queda em que o aluno de Jiu-Jitsu sente, na prática, a diferença entre "puxar com o braço" e "levantar com o quadril". Muitos praticantes que já têm anos de jogo no chão, mas pouca experiência em pé, tentam inicialmente compensar um encaixe de quadril incompleto com mais força de braço — e é justamente aí que a técnica falha. O aprendizado real do O Goshi normalmente vem da repetição de entradas, sentindo o próprio corpo encontrar o ângulo certo de encaixe, mais do que de qualquer explicação verbal sobre o movimento.
Como aplicar
Pegada de kimono
Conquiste uma pegada de manga com uma das mãos e uma pegada de gola alta (ou por trás das costas, na altura do cinto) com a outra, mantendo a distância curta.
Quebra de postura
Puxe o adversário para frente e para cima com a pegada de gola, forçando o peso dele a se inclinar na sua direção — sem essa inclinação, o encaixe de quadril não tem efeito.
Giro de entrada
Gire o próprio corpo cerca de 180 graus, de costas para o adversário, colando as costas e o quadril no corpo dele, mantendo os joelhos flexionados para abaixar o próprio centro de gravidade.
Encaixe do quadril
Posicione o próprio quadril abaixo do centro de gravidade dele, com os pés entre os pés do adversário e o corpo bem colado — se houver espaço entre os dois quadris, a projeção perde força.
A projeção
Estenda as pernas e gire o tronco para frente, usando o quadril como fulcro para levantar o adversário do chão e girá-lo por cima, puxando com os braços na mesma direção do giro.
Finalização com as mãos
Mantenha a pegada de gola e manga durante toda a projeção, guiando a queda dele e evitando que ele caia sem controle ou de cabeça.
Acompanhamento ao chão
Acompanhe o adversário até o tatame, absorvendo parte do impacto com as pegadas, e já se posicione para consolidar os pontos ou iniciar a passagem de guarda.
Erros comuns
- Tentar projetar sem quebrar a postura antes, girando de costas para um adversário que ainda está com o peso bem distribuído.
- Deixar espaço entre o próprio quadril e o do adversário, transformando a projeção numa disputa de força em vez de alavanca.
- Ficar em pé com os joelhos travados, o que impede abaixar o centro de gravidade abaixo do adversário.
- Soltar a pegada de gola no meio do giro, perdendo o controle da direção da queda.
- Girar rápido demais sem antes garantir o encaixe do quadril, resultando numa entrada vazia e sem projeção.
Segurança
Encadeamentos
O O Goshi é a porta de entrada natural para o Uki Goshi: quando o encaixe de quadril completo não é possível (por exemplo, o adversário se afasta no meio do giro), o atacante consegue converter o ataque numa versão mais lateral e "flutuante" da mesma projeção. Contra adversários que resistem à pegada de gola empurrando o braço do atacante, um arm drag para as costas aproveita esse mesmo empurrão para girar por trás dele. E quando o oponente sente o giro de entrada e recua para uma postura mais baixa de wrestling, o combate volta naturalmente para disputas de perna como o single-leg. Vale lembrar ainda que, dentro do próprio grupo de koshi-waza, o O Goshi funciona como referência de encaixe para toda uma família de variações — algumas atacam de lado, outras usam mais as pernas do que o quadril propriamente — mas todas compartilham o mesmo princípio fundamental de abaixar o próprio centro de gravidade abaixo do adversário antes de girar.
Perguntas Frequentes
O O Goshi funciona sem kimono (no-gi)?
É mais difícil de encaixar, já que a técnica depende da pegada de gola e manga para quebrar a postura e guiar a projeção. No no-gi, praticantes costumam adaptar com clinch e pegada de cintura, mas a versão clássica foi pensada para o kimono.
Preciso ser mais forte que o adversário para aplicar o O Goshi?
Não — pelo contrário, o O Goshi é uma técnica de alavanca: quando o encaixe de quadril está correto e o centro de gravidade do atacante fica abaixo do adversário, a projeção funciona com pouquíssima força de braço, mesmo contra alguém mais pesado.
Qual a diferença entre O Goshi e Uki Goshi?
O O Goshi busca o encaixe completo de quadril, com o atacante bem de frente e colado ao adversário antes de projetar; o Uki Goshi é uma versão mais lateral e "flutuante", usada quando não há tempo ou espaço para o encaixe total.
O que fazer se o encaixe de quadril falhar no meio do giro?
Não force a projeção sem o encaixe — é mais seguro recuar, manter as pegadas de gola e manga e tentar uma nova entrada, ou converter o ataque para uma variação como o Uki Goshi.
Fontes
- [1] O goshi — verbete técnico sobre a projeção de grande quadril do Judô — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] JudoInfo — recursos e referência técnica de Judô — JudoInfo (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (pontuação oficial de quedas) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
Continue treinando
Varrida avançada de tornozelo, aplicada no exato momento em que o oponente desloca o peso pra frente. Exige ti...
Projeção de quadril "saltitante", em que a perna do judoca chuta a perna do oponente para cima enquanto o quad...
Varrida de quadril em que a perna varre por fora a perna do oponente enquanto o quadril bloqueia o corpo dele....
Projeção de ombro aplicada com um braço só, girando de costas pro oponente e jogando-o por cima. Também chamad...
Projeção em que o oponente é carregado sobre os ombros, como uma "roda de ombro", e derrubado pro lado. No BJJ...
Ceifa externa curta na perna de trás do oponente, cortando o apoio de fora pra dentro. Costuma ser usada em co...