Chaves de Braço
Waki Gatame
Antes de existir no vocabulário do Jiu-Jitsu, o waki gatame já era catalogado no judô como uma das chaves de cotovelo aplicadas com o braço do adversário preso sob a axila do atacante — geralmente em pé ou em uma transição rápida entre a luta em pé e o chão. É uma técnica de herança direta do judô, adaptada ao contexto de guarda e disputa de pegada do Jiu-Jitsu moderno.
Vídeo desta técnica em breve
Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.
O que é o Waki Gatame
Waki gatame é um nome de origem japonesa, herdado diretamente do judô, onde a técnica já era catalogada como uma chave de cotovelo (kansetsu-waza) aplicada com o braço do adversário preso sob a axila do atacante — "waki" significa axila, e "gatame" remete ao verbo "prender" ou "fixar", uma combinação que descreve exatamente o mecanismo do golpe. No judô tradicional, ela costuma nascer de uma disputa de pegada em pé, muitas vezes como resposta a uma tentativa de projeção (arremesso) do adversário, capturando o braço dele exatamente no momento em que se estende para tentar o golpe.
No Jiu-Jitsu, o waki gatame foi adaptado a um contexto ligeiramente diferente: em vez de nascer apenas de disputas de projeção, ele aparece com mais frequência em transições entre a luta em pé e a guarda, especialmente quando o adversário estende um braço para tentar uma pegada, um agarrão ou uma tentativa de passagem, deixando o cotovelo momentaneamente exposto sob a axila do atacante. É, na prática, uma chave de cotovelo aplicada por compressão contra o próprio corpo do atacante, sem o giro de quadril característico do armbar tradicional — o que a torna mecanicamente distinta mesmo mirando a mesma articulação.
A dificuldade elevada (nível 4) reflete a exigência de timing preciso: o waki gatame depende de capturar o braço do adversário no exato instante em que ele se estende, algo que raramente acontece de forma isolada e previsível como em outros armlocks deste acervo. Além disso, a aplicação em pé ou em transição exige controle de base semelhante ao das entradas mais avançadas, como a chave de cotovelo voadora, embora sem a necessidade de saltar.
É um golpe indicado sobretudo para praticantes já confortáveis com disputas de pegada em pé e com transições rápidas entre a luta em pé e o chão, sendo uma opção valiosa para quem enfrenta adversários que costumam estender demais o braço durante tentativas de projeção ou de passagem de guarda.
Como aplicar
Identifique o braço estendido
Observe o momento em que o adversário estende um braço para tentar uma pegada, uma projeção ou uma passagem, deixando o cotovelo exposto e distante do próprio corpo.
Prenda o braço sob a axila
Capture o braço dele, encaixando-o sob a sua própria axila, com o cotovelo apontado para fora e o antebraço comprimido contra o seu tronco.
Segure o pulso ou o antebraço
Com a mão livre, reforce o controle do pulso ou do antebraço do adversário, garantindo que ele não consiga retirar o braço da axila durante o ajuste seguinte.
Ajuste o ângulo do corpo
Gire ligeiramente o próprio tronco na direção contrária ao cotovelo capturado, alinhando a articulação do adversário para a compressão que vem a seguir.
Controle a base
Se a aplicação acontecer em pé, mantenha uma base larga e estável antes de aplicar qualquer pressão; se a transição levar ao chão, priorize acompanhar a queda do adversário sem soltar o braço capturado.
Comprima o cotovelo contra o corpo
Aplique pressão comprimindo o cotovelo do adversário contra o próprio tronco, de forma lenta e constante, em vez de um puxão único e brusco.
Finalize com controle total
Continue aumentando a pressão apenas até a rendição, mantendo a base e o controle do pulso durante toda a finalização, mesmo que o adversário tente se desequilibrar para escapar.
Erros comuns
- Tentar capturar o braço antes de ele estar realmente estendido, o que costuma resultar em uma pegada fraca e fácil de escapar.
- Prender o braço sob a axila sem reforçar o controle do pulso com a outra mão, permitindo que o adversário puxe o braço de volta.
- Aplicar o golpe em pé sem uma base estável, arriscando um desequilíbrio conjunto que pode terminar em queda descontrolada para os dois lados.
- Comprimir o cotovelo de forma brusca, sem progressão, aumentando o risco de lesão desnecessária para o parceiro de treino.
- Perder o alinhamento do corpo durante a transição entre a luta em pé e o chão, permitindo que o cotovelo do adversário escape do encaixe sob a axila.
- Ignorar sinais de desequilíbrio do próprio corpo durante a aplicação em pé, priorizando a finalização sobre a segurança da queda.
Segurança
Encadeamentos
O waki gatame compartilha origem e espírito técnico com outras chaves de braço de raiz judoca presentes neste acervo: assim como o Ude Garami (Chicken Wing) e a Kimura, ele ataca o mesmo conjunto de estruturas do braço e do ombro, mudando apenas o ângulo de entrada e o momento da luta em que costuma aparecer. Quando o adversário defende bem o cotovelo girando o corpo para dentro, é comum a disputa migrar para o chão, de onde o atacante já pode buscar diretamente um Armlock da Guarda ou uma Kimura da Guarda pelo mesmo braço testado em pé. Se, durante a tentativa em pé, o adversário reage puxando o próprio corpo para trás com força, o desequilíbrio gerado às vezes expõe uma abertura semelhante à explorada na chave de cotovelo voadora, ainda que por um caminho de entrada diferente.
Do lado da defesa, o princípio permanece o mesmo de qualquer chave de cotovelo: girar o braço para dentro e recolher o cotovelo junto ao corpo assim que sentir a pegada sob a axila, a mesma lógica ensinada na defesa clássica de armlock, adaptada à disputa em pé.
Perguntas Frequentes
O waki gatame é uma técnica de judô ou de Jiu-Jitsu?
É uma técnica com origem catalogada no judô (kansetsu-waza), adaptada ao Jiu-Jitsu moderno em contextos de disputa de pegada em pé e transições para a guarda, mantendo o mesmo nome japonês nas duas artes.
É preciso estar em pé para aplicar o waki gatame?
A aplicação clássica costuma acontecer em pé ou em transição rápida para o chão, mas a mecânica de comprimir o cotovelo sob a axila também pode ser treinada de joelhos, de forma mais segura para quem está aprendendo.
Qual a diferença entre o waki gatame e um armbar tradicional?
O armbar tradicional usa o giro de quadril e as pernas para prender o braço; o waki gatame comprime o cotovelo contra o próprio tronco do atacante, sem depender desse giro, e costuma nascer de disputas de pegada em vez de posições de controle no chão.
Por que esse golpe é indicado só a partir da Faixa Roxa?
Porque depende de timing preciso para capturar o braço no momento exato em que ele se estende, além de exigir controle de base semelhante ao de entradas avançadas, habilidades que normalmente só se consolidam com mais tempo de treino em disputas de pegada.
Fontes
- [1] Wakigatame — descrição técnica da chave de cotovelo no judô (kansetsu-waza) — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] Armlock — verbete sobre chaves de braço em grappling, incluindo variantes de origem judoca — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [3] IBJJF Help Desk — Rules (pontuação oficial de posições e finalizações) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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