Enciclopédia do Jiu-Jitsu
Gi (Kimono)
É o uniforme mais reconhecível do Jiu-Jitsu — colarinho grosso, tecido reforçado, faixa amarrada na cintura — e também um dos maiores geradores de confusão de vocabulário do esporte: no Brasil chamamos de "kimono" uma peça que, no Japão, tem outro nome inteiramente diferente.
O que é
O gi (pronunciado "ji", com o som suave do "j" do inglês) é o uniforme de treino e competição usado no Jiu-Jitsu com kimono: uma jaqueta de tecido grosso e trançado, com colarinho reforçado nas bordas, calça da mesma trama e uma faixa amarrada na cintura que indica a graduação do praticante. No Brasil, é chamado quase universalmente de "kimono" — um nome que, tecnicamente, designa uma vestimenta civil tradicional japonesa sem relação nenhuma com luta, o que costuma surpreender quem começa a estudar a origem da palavra.
Origem
O uniforme como conhecemos hoje foi formalizado por Jigoro Kano, fundador do judô, no fim do século XIX, ao adaptar roupas tradicionais japonesas de trabalho e de dormir — parentes distantes do kimono civil — para suportar os puxões, quedas e pegadas de um treino de luta. Kano reforçou as costuras, engrossou o tecido e padronizou o colarinho, criando o que os japoneses chamam de "judogi" (uniforme de judô) ou, de forma mais genérica, "keikogi".
Quando Mitsuyo Maeda trouxe o judô/jiu-jitsu para o Brasil no início do século XX, o uniforme veio junto — mas o nome que se popularizou por aqui não foi "gi" nem "keikogi": foi "kimono", provavelmente porque era a única palavra japonesa para vestimenta que o público brasileiro já conhecia. O apelido colou, e décadas depois o Jiu-Jitsu Brasileiro exporta o esporte de volta ao mundo com "kimono" e "gi" convivendo lado a lado — o segundo predominando na terminologia técnica e competitiva internacional, o primeiro no dia a dia das academias brasileiras.
Uso no tatame
Na prática, "gi" e "kimono" são intercambiáveis dentro do Jiu-Jitsu — ambos se referem exatamente à mesma peça de roupa. Um professor brasileiro tanto diz "hoje o treino é de kimono" quanto "bora fazer um gi training", sem distinção de significado. O termo também vira adjetivo para diferenciar as duas modalidades do esporte: luta "com gi" (ou "com kimono") versus luta "no-gi" (sem o uniforme, geralmente com rash guard e shorts).
- "Ele comprou um kimono novo pra competir no Mundial." — peça física.
- "Hoje o treino é só de gi, ninguém rola no-gi." — modalidade da aula.
- "A pegada dele no gi é muito forte, difícil de quebrar." — controle via tecido.
Veja também
Para entender como o tecido do gi vira arma técnica, vale conhecer a Lapela como conceito específico dentro do dicionário e as Regras do Kimono, que definem tamanho, encaixe e materiais aceitos em competição. Quem quer comparar as duas modalidades do esporte encontra o contraste completo em Diferenças entre Gi e No-Gi e no verbete No-Gi, enquanto o Uniforme No-Gi mostra o que substitui o kimono quando ele sai de cena.
Perguntas Frequentes
"Gi" e "kimono" são a mesma coisa?
Sim, no contexto do Jiu-Jitsu os dois termos se referem exatamente ao mesmo uniforme. "Gi" é a forma mais usada internacionalmente e nas federações; "kimono" é o termo consagrado no Brasil, ainda que tecnicamente designe outra peça de vestuário japonês na origem.
Por que o Brasil chama o uniforme de "kimono" se isso está tecnicamente errado?
Porque quando o judô/jiu-jitsu chegou ao Brasil no início do século XX, "kimono" era a palavra japonesa para vestimenta já conhecida do público local, e o apelido se popularizou antes que o termo técnico correto ("keikogi" ou "gi") se firmasse — um caso comum de empréstimo linguístico que se consolida pelo uso, não pela precisão.
Fontes
- [1] Judogi — verbete sobre origem, história e padronização do uniforme de judô — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] BJJ Vocabulary — glossário de termos do Jiu-Jitsu, incluindo gi/kimono — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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