Enciclopédia do Jiu-Jitsu

Gi (Kimono)

É o uniforme mais reconhecível do Jiu-Jitsu — colarinho grosso, tecido reforçado, faixa amarrada na cintura — e também um dos maiores geradores de confusão de vocabulário do esporte: no Brasil chamamos de "kimono" uma peça que, no Japão, tem outro nome inteiramente diferente.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 3 min de leitura

O que é

O gi (pronunciado "ji", com o som suave do "j" do inglês) é o uniforme de treino e competição usado no Jiu-Jitsu com kimono: uma jaqueta de tecido grosso e trançado, com colarinho reforçado nas bordas, calça da mesma trama e uma faixa amarrada na cintura que indica a graduação do praticante. No Brasil, é chamado quase universalmente de "kimono" — um nome que, tecnicamente, designa uma vestimenta civil tradicional japonesa sem relação nenhuma com luta, o que costuma surpreender quem começa a estudar a origem da palavra.

Pronúncia "Gi" é a forma abreviada e mais usada internacionalmente; no Japão, o termo técnico correto para o uniforme de treino é "keikogi" (稽古着), literalmente "roupa de prática".

Origem

O uniforme como conhecemos hoje foi formalizado por Jigoro Kano, fundador do judô, no fim do século XIX, ao adaptar roupas tradicionais japonesas de trabalho e de dormir — parentes distantes do kimono civil — para suportar os puxões, quedas e pegadas de um treino de luta. Kano reforçou as costuras, engrossou o tecido e padronizou o colarinho, criando o que os japoneses chamam de "judogi" (uniforme de judô) ou, de forma mais genérica, "keikogi".

Quando Mitsuyo Maeda trouxe o judô/jiu-jitsu para o Brasil no início do século XX, o uniforme veio junto — mas o nome que se popularizou por aqui não foi "gi" nem "keikogi": foi "kimono", provavelmente porque era a única palavra japonesa para vestimenta que o público brasileiro já conhecia. O apelido colou, e décadas depois o Jiu-Jitsu Brasileiro exporta o esporte de volta ao mundo com "kimono" e "gi" convivendo lado a lado — o segundo predominando na terminologia técnica e competitiva internacional, o primeiro no dia a dia das academias brasileiras.

Uso no tatame

Na prática, "gi" e "kimono" são intercambiáveis dentro do Jiu-Jitsu — ambos se referem exatamente à mesma peça de roupa. Um professor brasileiro tanto diz "hoje o treino é de kimono" quanto "bora fazer um gi training", sem distinção de significado. O termo também vira adjetivo para diferenciar as duas modalidades do esporte: luta "com gi" (ou "com kimono") versus luta "no-gi" (sem o uniforme, geralmente com rash guard e shorts).

  • "Ele comprou um kimono novo pra competir no Mundial." — peça física.
  • "Hoje o treino é só de gi, ninguém rola no-gi." — modalidade da aula.
  • "A pegada dele no gi é muito forte, difícil de quebrar." — controle via tecido.
O tecido do gi não é decorativo: colarinho, lapela, mangas e calça funcionam como pontos de pegada e alavanca. Boa parte da guarda com kimono (guarda de lapela, guarda aranha, controle de manga) simplesmente não existe da mesma forma no no-gi, porque depende diretamente do tecido reforçado do uniforme.

Veja também

Para entender como o tecido do gi vira arma técnica, vale conhecer a Lapela como conceito específico dentro do dicionário e as Regras do Kimono, que definem tamanho, encaixe e materiais aceitos em competição. Quem quer comparar as duas modalidades do esporte encontra o contraste completo em Diferenças entre Gi e No-Gi e no verbete No-Gi, enquanto o Uniforme No-Gi mostra o que substitui o kimono quando ele sai de cena.

Perguntas Frequentes

"Gi" e "kimono" são a mesma coisa?

Sim, no contexto do Jiu-Jitsu os dois termos se referem exatamente ao mesmo uniforme. "Gi" é a forma mais usada internacionalmente e nas federações; "kimono" é o termo consagrado no Brasil, ainda que tecnicamente designe outra peça de vestuário japonês na origem.

Por que o Brasil chama o uniforme de "kimono" se isso está tecnicamente errado?

Porque quando o judô/jiu-jitsu chegou ao Brasil no início do século XX, "kimono" era a palavra japonesa para vestimenta já conhecida do público local, e o apelido se popularizou antes que o termo técnico correto ("keikogi" ou "gi") se firmasse — um caso comum de empréstimo linguístico que se consolida pelo uso, não pela precisão.

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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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