Enciclopédia do Jiu-Jitsu
Tori
Em qualquer demonstração de técnica — no judô, no Jiu-Jitsu ou em outras artes marciais japonesas — sempre existem dois papéis definidos: quem executa a técnica e quem a recebe. "Tori" é o nome japonês para o primeiro desses papéis, um termo que sobrevive no vocabulário técnico do Jiu-Jitsu mesmo décadas depois de o esporte ter se tornado majoritariamente brasileiro.
O que é
Tori é o termo japonês, vindo do verbo "toru" (tomar, pegar, escolher), usado para designar a pessoa que executa uma técnica com sucesso contra o parceiro de treino, chamado de "uke". O par tori/uke é usado principalmente em contextos de ensino — quando um instrutor demonstra uma técnica ou quando os alunos praticam repetição (drilling) de um movimento combinado — para deixar claro qual dos dois papéis cada praticante está exercendo naquele momento.
Tori não é sinônimo de "atacante"
Um mal-entendido comum é tratar tori e uke como equivalentes a "atacante" e "defensor". Não são: o critério que define quem é tori não é quem inicia a ação, mas quem completa a técnica com sucesso. Em kata e em exercícios de repetição, por exemplo, é comum que o uke inicie um ataque combinado (como um golpe ou uma pegada) justamente para que o tori tenha a oportunidade de aplicar a defesa ou a técnica que está sendo ensinada naquele momento.
Como o termo aparece no Jiu-Jitsu
No Jiu-Jitsu, "tori" aparece com mais frequência dentro de instrução técnica formal do que na conversa solta do dia a dia da academia — professores explicando um encaixe costumam simplesmente dizer "quem está aplicando a técnica" ou "quem está fazendo o movimento". Ainda assim, o par tori/uke sobrevive especialmente em academias com raízes fortes na tradição do judô, ou em materiais de ensino mais formais que preservam a nomenclatura japonesa original.
Uso numa frase real
"Agora inverte: quem era uke vira tori" é uma instrução comum durante exercícios de repetição em dupla, pedindo que os parceiros troquem de papel depois de algumas repetições da técnica.
Veja também
O verbete Uke explica o papel complementar de quem recebe a técnica, e Randori mostra o contexto em que a distinção formal entre os dois papéis deixa de fazer sentido. Encaixe descreve, em termos mais coloquiais, o próprio momento em que o tori consegue aplicar a técnica com precisão.
Perguntas Frequentes
Tori é a mesma coisa que atacante?
Não necessariamente. Tori é quem completa a técnica com sucesso, não necessariamente quem inicia a ação — em kata e em exercícios combinados, é comum que o uke inicie o ataque justamente para o tori aplicar a defesa ou a técnica ensinada.
Esse termo é usado só no judô?
Não. Tori (e o par tori/uke) é usado em várias artes marciais japonesas, incluindo judô e aikido, e sobrevive no vocabulário técnico do Jiu-Jitsu principalmente em contextos de ensino formal ou em academias de linhagem mais ligada ao judô.
Fontes
- [1] Tori (martial arts) — verbete sobre o papel de quem executa a técnica na terminologia japonesa — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
- [2] Uke (martial arts) — verbete complementar sobre o papel de quem recebe a técnica — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
Autor
Redação BJJLF
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