السيرة الذاتية
Há trajetórias construídas a partir de títulos. Outras são construídas pelo tempo, pela permanência, pelas responsabilidades assumidas e, sobretudo, pela capacidade de continuar aprendendo mesmo depois de alcançar posições destinadas a ensinar.
A trajetória de Caio Alexandre dos Santos Côrtes pertence à segunda categoria.
Nascido no Rio de Janeiro, em 22 de abril de 1977, iniciou sua relação com o Jiu Jitsu ainda na primeira infância, aos quatro anos de idade. Desde então, são aproximadamente 45 anos dedicados à arte, atravessando diferentes períodos do Jiu Jitsu brasileiro, da formação tradicional das antigas academias à profissionalização, expansão internacional e consolidação contemporânea da modalidade.
Sua origem está na histórica Academia Santana, na Rua do Riachuelo, no Centro do Rio de Janeiro.
Foi nesse ambiente que recebeu sua formação fundamental, da faixa branca à faixa preta, sob orientação do Mestre Valdo Santana, irmão de Waldemar Santana e integrante de uma geração cuja história se confunde com capítulos importantes do desenvolvimento das lutas no Brasil.
Em 12 de agosto de 1996, Caio recebeu sua faixa preta de Jiu Jitsu.
Trinta anos depois, em 2026, permanece no caminho.
Atualmente Faixa Preta 6º Grau, sua senioridade não é compreendida apenas pela graduação que ostenta, mas pela extensão da experiência acumulada e pela responsabilidade decorrente de três décadas na faixa preta.
Essa distinção é central para compreender sua filosofia.
Para Caio, graduação não representa um ponto de chegada. Quanto maior a posição ocupada dentro de uma arte marcial, maior deve ser a capacidade de reconhecer aquilo que ainda precisa ser aprendido.
É sob esse princípio que, atualmente, reconhece como seu Mestre Luiz Carlos Mateus Dias, Mestre Manimal.
A escolha representa continuidade, não ruptura.
Mestre Valdo Santana permanece definitivamente inscrito em sua história como o responsável por sua formação fundamental e pela construção do faixa preta que Caio se tornou. Mestre Manimal ocupa, no presente, o lugar de Mestre, referência e continuidade de uma formação que Caio deliberadamente se recusa a considerar concluída.
Essa relação traduz uma convicção que orienta sua atuação dentro e fora do Jiu Jitsu:
todo professor deve continuar sendo aluno.
Mesmo depois de décadas ensinando, liderando e formando praticantes, Caio preserva conscientemente a condição de aluno. Para ele, a verdadeira senioridade não elimina a necessidade de aprender. Ao contrário, exige maturidade suficiente para continuar aprendendo.
Sua formação marcial ultrapassa o Jiu Jitsu.
É também Faixa Preta 4º Dan de Karatê Kakuto Daidomon, faixa preta desde 2002, e Faixa Preta 2º Dan de Judô, faixa preta desde 2007.
A experiência construída em diferentes sistemas marciais contribuiu para uma compreensão menos fragmentada do combate e, principalmente, do ensino. Técnica, disciplina, hierarquia, comportamento e responsabilidade pedagógica passaram a ser compreendidos como dimensões indissociáveis da formação de um professor.
Essa visão encontrou correspondência em sua formação acadêmica.
Caio possui formação em Marketing, concluída em 2000, formação em Economia, concluída em 2007, MBA em Economia, concluído em 2012, MBA em Gestão Empresarial, concluído em 2018, além de formação em Psicanálise, concluída em 2026.
Não se trata de uma coleção de credenciais independentes.
Marketing e gestão ampliaram sua compreensão sobre organizações, posicionamento, liderança e construção de valor. A Economia incorporou racionalidade analítica à tomada de decisão. A Psicanálise acrescentou outra dimensão à leitura das relações humanas, do desejo, dos limites, dos conflitos e das singularidades que atravessam qualquer ambiente de formação.
Essa convergência tornou-se determinante em sua maneira de compreender as artes marciais.
Para Caio, saber Jiu Jitsu e saber ensinar Jiu Jitsu são competências distintas.
O domínio técnico é indispensável, mas insuficiente para aquele que assume a responsabilidade de conduzir outras pessoas.
Ensinar implica compreender limites. Exige saber exercer autoridade sem autoritarismo, estabelecer disciplina sem humilhação, reconhecer diferenças sem reduzir expectativas e compreender que cada aluno entra em uma academia carregando uma história que não começa quando pisa no tatame.
Essa percepção também possui raízes profundamente pessoais.
Para além das faixas, títulos, responsabilidades profissionais e funções de liderança, Caio é marido e pai de Patrick, Juliana e Mariana.
A paternidade ocupa posição fundamental em sua formação humana.
A experiência com Mariana, que tem Síndrome de Down, aprofundou sua compreensão sobre singularidade, autonomia, inclusão e respeito às diferentes formas de desenvolvimento.
Não como construção teórica.
Como experiência de vida.
Essa vivência contribuiu para consolidar uma percepção que posteriormente passou a atravessar também sua atuação como educador: pessoas não devem ser definidas exclusivamente por suas limitações, diagnósticos ou dificuldades. O papel de quem educa é reconhecer singularidades sem deixar de identificar capacidades, estimular autonomia e construir condições para que cada indivíduo desenvolva o máximo de suas possibilidades.
Essa concepção encontra expressão concreta em seu trabalho social.
No Rio de Janeiro, Caio atua diretamente no ensino do Jiu Jitsu e participa de iniciativa social junto à Paróquia Sagrada Família, na Ilha do Governador, desenvolvendo trabalho com crianças em situação de vulnerabilidade social, crianças atípicas e mulheres.
Nesse contexto, o Jiu Jitsu deixa de ser compreendido exclusivamente como sistema de combate.
Torna-se instrumento de educação, disciplina, convivência, pertencimento, autocontrole, inclusão e construção de autonomia.
O professor não substitui a família, a escola, o psicólogo ou qualquer outro profissional especializado. Mas precisa reconhecer que ocupa um lugar simbólico importante na experiência de seus alunos, especialmente quando trabalha com crianças e adolescentes.
Essa consciência orienta também sua atuação como Head Coach e líder da Black Code BJJ (Manimal Family).
A Black Code nasce de uma concepção que procura preservar a tradição e a identidade do Jiu Jitsu sem transformar tradição em imobilidade.
Sob sua liderança, a equipe está presente atualmente no Rio de Janeiro, em Nova Granada, São Paulo, e em Americana, São Paulo, reunindo aproximadamente 180 alunos.
O crescimento da Black Code, entretanto, não é compreendido apenas por métricas de expansão.
Cada novo aluno amplia a responsabilidade da instituição. Cada novo professor amplia a necessidade de coerência metodológica. Cada novo núcleo exige que os princípios que deram origem à equipe sejam preservados mesmo quando o Head Coach não está fisicamente presente.
Por isso, a Black Code BJJ (Manimal Family) é concebida menos como uma marca e mais como uma escola de formação.
Formar atletas é parte do trabalho.
Formar bons praticantes é igualmente importante.
Formar professores capazes de transmitir conhecimento com responsabilidade constitui uma dimensão ainda mais profunda do projeto.
E formar pessoas capazes de compreender disciplina, respeito, responsabilidade, autocontrole e convivência representa o legado que ultrapassa o resultado esportivo.
É nesse ponto que diferentes dimensões da trajetória de Caio passam a constituir uma única identidade.
O menino que iniciou no Jiu Jitsu aos quatro anos.
O aluno formado na Academia Santana.
O faixa preta de 1996.
O professor.
O praticante de outras artes marciais.
O profissional formado em Marketing, Economia, Gestão Empresarial e Psicanálise.
O marido.
O pai de Patrick, Juliana e Mariana.
O educador que trabalha com crianças.
O professor que atua com pessoas em diferentes condições sociais e de desenvolvimento.
O Head Coach responsável por uma estrutura com aproximadamente 180 alunos.
E, depois de tudo isso, ainda o aluno.
Talvez seja justamente essa última condição que melhor sintetize sua trajetória.
Depois de aproximadamente 45 anos de Jiu Jitsu e 30 anos como faixa preta, Caio não compreende experiência como autorização para interromper o aprendizado.
Compreende experiência como responsabilidade.
Responsabilidade sobre aquilo que recebeu.
Responsabilidade sobre aquilo que transmite.
Responsabilidade sobre aqueles que escolhem aprender com ele.
E responsabilidade sobre o nome, a história e os princípios que serão deixados para quem vier depois.
Aos 49 anos, Caio Alexandre dos Santos Côrtes não constrói seu legado apenas a partir das graduações que conquistou, mas sobretudo a partir das pessoas que ajuda a formar.
Sua origem permanece preservada.
Sua história permanece reconhecida.
Sua formação permanece em movimento.
E sua posição, mesmo depois de décadas ensinando, continua sustentada por uma premissa essencial:
antes de ser Mestre de alguém, é preciso conservar a humildade intelectual e marcial de permanecer aluno.
Hoje, essa continuidade encontra no Mestre Luiz Carlos Mateus Dias, Mestre Manimal, sua principal referência.
E é dessa combinação entre origem, conhecimento, experiência, família, educação, liderança e permanente disposição para aprender que Caio pretende construir aquilo que considera mais importante do que qualquer graduação:
legado.