Estrangulamentos

Ezequiel

★★★☆☆
Faixa Azul

Poucos golpes do Jiu-Jitsu carregam uma origem tão bem contada quanto o Ezequiel: nasceu de um judoca frustrado tentando escapar da guarda fechada, virou arma secreta dentro de uma academia carioca e hoje é ensinado em qualquer tatame do mundo com esse mesmo nome brasileiro.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 5 min de leitura

Vídeo desta técnica em breve

Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.

O que é o Ezequiel

O Ezequiel é um estrangulamento de kimono no qual o atacante usa a própria manga do gi — não a gola do adversário — como ferramenta de pressão contra o pescoço. O antebraço, reforçado pelo tecido da manga presa na própria mão, cruza a garganta ou a lateral do pescoço do oponente enquanto a mão oposta segura o próprio punho ou antebraço, fechando o estrangulamento sem precisar agarrar a gola do rival. É um golpe conhecido por ser sorrateiro: muitas vezes o oponente só percebe o perigo quando o estrangulamento já está bem encaixado.

A origem do nome é uma das histórias mais contadas do Jiu-Jitsu Brasileiro. A técnica já existia no judô, onde é chamada de sode guruma jime ("estrangulamento de roda de manga"), mas ganhou o nome pelo qual é conhecida hoje através do judoca brasileiro Ezequiel Paraguassu. Em 1988, treinando na academia de Carlson Gracie no Rio de Janeiro enquanto se preparava para os Jogos Olímpicos, Ezequiel enfrentava dificuldade para escapar da guarda fechada dos praticantes de Jiu-Jitsu. Frustrado, recorreu ao golpe de judô que já dominava e passou a finalizar vários colegas de treino com ele. O golpe chamou tanta atenção que ele foi convidado a ensiná-lo aos demais alunos da academia — que passaram a chamá-lo, naturalmente, de "Ezequiel".

O Ezequiel se popularizou de forma definitiva ao longo da década de 1990, justamente por resolver um problema específico: é uma das poucas finalizações que um praticante por baixo, preso na guarda fechada do adversário, pode aplicar com segurança contra quem tenta passar a guarda por cima. Por isso, costuma ser ensinado a partir da faixa azul, quando o aluno já domina a base do controle de distância na guarda e começa a estudar ataques que não dependem de estar por cima do oponente.

Como aplicar

1

Parta da guarda fechada

Com o adversário dentro da sua guarda fechada e a cabeça dele relativamente próxima do seu peito, você já tem a distância certa para iniciar o Ezequiel.

2

Cruze o braço por trás da cabeça

Passe um dos braços por trás da cabeça do oponente, com o antebraço se aproximando da lateral do pescoço dele, como se fosse abraçar a nuca.

3

Segure a própria manga

Com a outra mão, agarre a manga do braço que está atrás do pescoço, próximo ao próprio punho — é essa pegada na manga que dá nome ao golpe e sustenta a pressão.

4

Deslize o antebraço para o pescoço

Puxe o antebraço, reforçado pela manga presa, para dentro, cruzando a garganta ou a lateral do pescoço do adversário, sem soltar a pegada na própria manga.

5

Feche com a mão de apoio

Use a mão livre para empurrar a cabeça do oponente contra o antebraço que estrangula, fechando o espaço final que ainda resta entre os dois.

6

Aplique com o abdômen e os quadris

Contraia o abdômen e traga o quadril para perto, transferindo a força da aplicação para o tronco em vez de depender só da força do antebraço e da manga.

Erros comuns

  • Tentar aplicar o Ezequiel com o adversário longe demais do peito, sem a distância que a guarda fechada oferece.
  • Prender a manga de forma solta, perdendo o reforço de tecido que dá firmeza ao antebraço.
  • Empurrar a cabeça do oponente com pouca força na mão de apoio, deixando um espaço que anula o estrangulamento.
  • Depender só da força do braço e da manga, sem contrair o abdômen e aproximar o quadril.
  • Anunciar o ataque com um movimento brusco, dando tempo para o adversário defender antes do antebraço alcançar o pescoço.

Segurança

Como todo estrangulamento, o Ezequiel pode levar ao apagamento (perda de consciência) sem dor de aviso significativa. Ao sentir a pressão do antebraço fechando, bata (tap) IMEDIATAMENTE, sem esperar para "testar" quanto aguenta. Quem aplica deve soltar assim que o parceiro bater ou verbalizar, mesmo em treino leve. Nunca treine estrangulamentos sem a supervisão de um professor qualificado, e combine o ritmo do treino com o parceiro antes de aumentar a intensidade da aplicação.

Variações e encadeamentos

O Ezequiel é normalmente uma técnica de meio de caminho: mesmo quando não finaliza, geralmente força uma reação de defesa que abre outras oportunidades. Se o adversário puxa a cabeça para trás para escapar da pressão, ele costuma abrir espaço para uma raspagem ou para uma passagem de guarda; se ele baixa a cabeça e empurra para frente tentando passar por baixo do braço, expõe o pescoço a uma Guilhotina, já que a distância e o ângulo de cabeça baixa favorecem justamente esse ataque frontal.

Fora da guarda fechada, o mesmo princípio de usar a própria manga como ferramenta de estrangulamento aparece em ataques pelas costas, funcionando como uma alternativa ao Mata-Leão quando o oponente defende bem o antebraço "nu". Praticantes mais experientes também combinam o Ezequiel com ataques de braço quando o adversário solta uma das mãos para tentar arrancar o antebraço do pescoço — abrindo caminho, por exemplo, para uma Kimura Lateral se a luta migra para o solo em outra posição.

Perguntas Frequentes

O Ezequiel funciona sem kimono (no-gi)?

A versão clássica depende do reforço da manga do gi, mas existe uma adaptação para no-gi em que o antebraço faz o mesmo trajeto sem o apoio do tecido — nesse caso, exige ainda mais precisão de ângulo e força de antebraço para compensar a falta da manga.

Ezequiel Paraguassu é uma figura real da história do Jiu-Jitsu?

Sim. Ezequiel Paraguassu foi um judoca brasileiro que treinava na academia de Carlson Gracie no Rio de Janeiro em 1988, se preparando para os Jogos Olímpicos, e acabou emprestando o próprio nome ao golpe depois de usá-lo com sucesso contra os praticantes de Jiu-Jitsu.

Por que o Ezequiel costuma ser ensinado a partir da faixa azul?

Porque exige uma base sólida de controle de guarda fechada e sensibilidade de distância — habilidades que normalmente já estão mais desenvolvidas quando o praticante chega à faixa azul, o que reduz o risco de tentativas apressadas e mal encaixadas.

O Ezequiel é considerado um golpe "sujo" ou perigoso demais?

Não. É uma finalização legítima e amplamente ensinada em todas as federações, sem qualquer restrição especial de regulamento — seu risco é o mesmo de qualquer estrangulamento e exige os mesmos cuidados de tap imediato.

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Autor

Redação BJJLF

S

Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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