Estrangulamentos

Marcelotine

★★★★☆
Faixa Roxa

Poucos atletas transformaram um único golpe em marca pessoal como Marcelo Garcia fez com a Guilhotina: a Marcelotine troca a pegada tradicional pelo peito e pelo ombro do próprio atacante, permitindo fechar um dos estrangulamentos mais eficientes do Jiu-Jitsu quase sem depender da força das mãos.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 5 min de leitura

Vídeo desta técnica em breve

Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.

O que é a Marcelotine

A Marcelotine é uma variação da Guilhotina em que, em vez de fechar a pressão principal através da força das mãos entrelaçadas, o atacante usa o próprio peito e o ombro para comprimir o pescoço do adversário contra o antebraço, mantendo os dois corpos colados peito a peito durante toda a aplicação. Na prática, isso significa que a pegada das mãos serve mais para travar a posição do que para gerar força bruta — quem realmente aperta o pescoço é o peso do tronco do atacante, transferido continuamente para dentro do laço.

O nome é uma homenagem direta a Marcelo Garcia, múltiplo campeão mundial e de ADCC, reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas de todos os tempos nessa família de estrangulamentos. Ao longo dos anos 2000 e 2010, Marcelo Garcia usou e ensinou essa variação de forma tão consistente e eficaz — inclusive dedicando materiais instrucionais inteiros ao assunto — que a comunidade de Jiu-Jitsu passou a se referir à técnica quase automaticamente pelo apelido que carrega seu nome, consolidando a Marcelotine como um verbete próprio dentro do vocabulário técnico do esporte.

A grande vantagem da Marcelotine é reduzir a dependência de força de grip, um fator que costuma cansar rapidamente durante disputas longas. Ao transferir o trabalho principal para o peso do corpo e o contato peito a peito, um atacante mais leve ou com as mãos já cansadas ainda consegue manter pressão significativa sobre o pescoço do adversário, desde que o ombro e o tronco estejam bem posicionados — um princípio que ajudou a popularizar essa variação especialmente entre competidores que priorizam eficiência de energia ao longo de lutas mais longas, tanto no gi quanto no no-gi.

Por depender de uma leitura fina sobre como distribuir o peso do próprio corpo — e não apenas fechar as mãos com força — a Marcelotine costuma ser ensinada a partir da faixa roxa, quando o aluno já domina bem a Guilhotina tradicional e está pronto para refinar a mecânica de pressão através do próprio tronco.

Como aplicar

1

Estabeleça o front headlock

Aproveite a cabeça baixa do adversário — numa queda, raspagem ou dentro da guarda — para passar o braço por baixo do pescoço dele, como na Guilhotina tradicional.

2

Feche a pegada nas mãos

Entrelace as mãos em gable grip ou segure o próprio pulso, fechando o laço ao redor do pescoço, mas sem depender dessa pegada como principal fonte de pressão.

3

Cole o peito no ombro do antebraço

Aproxime o próprio peito e ombro do braço estrangulador, criando um contato firme peito a peito com o adversário — esse contato é o que vai gerar a maior parte da pressão.

4

Transfira o peso para dentro do laço

Incline o próprio tronco para a frente e para dentro, empurrando o peso do corpo através do ombro e do peito na direção do pescoço do adversário, em vez de puxar só com os braços.

5

Feche a guarda ou trave a base

Se estiver no chão, feche a guarda fechada nas costas do adversário para impedir que ele recue e alivie a pressão do contato peito a peito.

6

Ajuste com pequenos movimentos de tronco

Em vez de puxar repetidamente com as mãos, use pequenos ajustes de inclinação do próprio tronco para aumentar gradualmente a pressão sobre o pescoço do adversário.

Erros comuns

  • Depender só da força das mãos, tratando a Marcelotine como uma Guilhotina comum e ignorando o contato peito a peito que dá nome à técnica.
  • Deixar espaço entre o próprio peito e o ombro do braço estrangulador, perdendo justamente o contato que substitui a força de grip.
  • Puxar repetidamente com os braços em vez de transferir o peso do tronco de forma contínua para dentro do laço.
  • Perder a base ou a guarda fechada durante os ajustes de peso, permitindo que o adversário recue e crie distância entre os dois peitos.
  • Cansar as mãos tentando fechar toda a pressão nelas, em vez de aliviar o grip e deixar o peso do corpo fazer o trabalho principal.

Segurança

A Marcelotine pode fechar de forma gradual e silenciosa, já que boa parte da pressão vem do peso do corpo em vez de um aperto repentino de mãos — o que às vezes atrasa a percepção de quem está sendo finalizado sobre a real gravidade da situação. Bata (tap) IMEDIATAMENTE ao sentir a pressão aumentando, mesmo que pareça "só" o peso do adversário, sem esperar por uma dor mais aguda que pode nunca vir antes do apagamento (perda de consciência). Quem aplica deve soltar assim que sentir o tap ou ouvir o parceiro verbalizar, mesmo em treino leve. Nunca treine essa variação sem supervisão de um professor qualificado.

Encadeamentos

A Marcelotine nasce do mesmo gatilho de qualquer Guilhotina tradicional, mas costuma ser a escolha preferida quando o atacante já sente as mãos cansadas de uma disputa de grip anterior — nesses casos, transferir a pressão principal para o peito e o ombro permite continuar a finalização sem depender de força que já não está totalmente disponível. Quando o encaixe peito a peito não está totalmente disponível mas o cotovelo consegue subir alto o suficiente, é comum o atacante combinar os dois princípios numa Guilhotina Alta, buscando pressão lateral sobre as artérias carótidas mesmo sem o contato de tronco completo.

Se o adversário resiste bem ao contato peito a peito e consegue criar espaço suficiente para puxar um dos braços para fora, a disputa costuma reverter para uma Arm-in Guillotine ou para um D'Arce (Brabo Choke), já que ambos exploram a mesma ideia de isolar parte da estrutura do adversário quando o encaixe original não fecha por completo.

Perguntas Frequentes

De onde vem o nome Marcelotine?

É uma homenagem a Marcelo Garcia, múltiplo campeão mundial e de ADCC, que usou e ensinou essa variação de Guilhotina peito a peito de forma tão consistente ao longo dos anos 2000 e 2010 que a comunidade de Jiu-Jitsu passou a associar a técnica diretamente ao seu nome.

Qual a principal diferença entre a Marcelotine e a Guilhotina tradicional?

Na Guilhotina tradicional, a força das mãos entrelaçadas é a principal fonte de pressão; na Marcelotine, o contato peito a peito e o peso do tronco do atacante assumem esse papel, reduzindo a dependência da força de grip.

A Marcelotine funciona melhor para atletas mais leves?

É especialmente valorizada por atletas que priorizam eficiência de energia, já que depende menos de força bruta de mãos e mais de posicionamento correto de peito, ombro e tronco — algo que qualquer atleta, independente do peso, pode refinar com prática.

Por que a Marcelotine é ensinada só a partir da faixa roxa?

Porque exige uma leitura fina de distribuição de peso corporal em vez de apenas força de mãos, refinamento que costuma amadurecer depois que o aluno já domina bem os fundamentos da Guilhotina tradicional.

Fontes

  1. [1] Guillotine choke — descrição técnica geral, incluindo variações de pressão peito a peito — Wikipedia (acesso em 19/07/2026)
  2. [2] BJJ Heroes — perfil de Marcelo Garcia e sua associação histórica com a Guilhotina — BJJ Heroes (acesso em 19/07/2026)
  3. [3] IBJJF Help Desk — Rules (referência de regras oficiais) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (acesso em 19/07/2026)
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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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