Estrangulamentos

Gogoplata

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Faixa Preta

A canela cruzando a garganta do adversário, o pé preso atrás da cabeça dele e uma flexibilidade de quadril quase circense: o Gogoplata é uma das finalizações mais raras e mais espetaculares do Jiu-Jitsu, filha direta da guarda rubber criada por Eddie Bravo e eternizada por Nick Diaz num dos nocautes técnicos mais lembrados do MMA.

Por Redação BJJLF Revisado por Sergio Malibu, Faixa Coral 8º Grau — Fundador Revisado em 19/07/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 5 min de leitura

Vídeo desta técnica em breve

Este espaço é reservado para o vídeo e as fotos oficiais da demonstração, gravados no tatame.

O Gogoplata é um estrangulamento em que a canela do atacante cruza a garganta do adversário, comprimindo a via aérea, enquanto o pé fica preso atrás da cabeça dele para travar a posição — tudo isso aplicado a partir da guarda, com o adversário posicionado dentro do próprio jogo de pernas do atacante. É amplamente considerado um dos golpes de maior exigência física de todo o Jiu-Jitsu, já que depende de uma combinação rara de flexibilidade extrema de quadril e virilha com controle preciso de postura e de guarda.

A técnica está diretamente ligada à guarda rubber, sistema de guarda desenvolvido e popularizado pelo americano Eddie Bravo a partir do final da década de 1990 e início dos anos 2000, dentro do seu método 10th Planet Jiu-Jitsu. A guarda rubber organiza uma série de posições de altíssimo controle sobre a cabeça, o pescoço e os ombros do adversário, elevando a própria perna até travá-la atrás do pescoço dele — e é justamente dentro desse conjunto de posições, em especial a chamada "mission control", que o Gogoplata aparece como uma das finalizações naturais.

O momento que mais projetou o Gogoplata para o público geral do MMA aconteceu em 2005, quando o americano Nick Diaz finalizou o japonês Takanori Gomi — um dos lutadores mais respeitados do peso leve na época — com um Gogoplata durante um evento do PRIDE no Japão. A imagem de Diaz aplicando a canela contra a garganta de um adversário de altíssimo nível ajudou a espalhar o golpe para além dos círculos mais fechados do Jiu-Jitsu americano, tornando-o reconhecível até por espectadores casuais de artes marciais mistas.

Justamente por depender de flexibilidade de quadril fora do comum e de anos de trabalho específico dentro de sistemas como a guarda rubber, o Gogoplata é raro em competição e costuma ser tratado como técnica de Faixa Preta — não porque a mecânica em si seja conceitualmente mais complexa que outras finalizações, mas porque poucos corpos conseguem alcançar a mobilidade física necessária para executá-la com segurança e consistência.

Como aplicar

1

Construa a base na guarda rubber

A partir da guarda fechada, trabalhe a elevação de uma das pernas até travá-la atrás do pescoço do adversário, buscando uma posição de controle alto como a "mission control" da guarda rubber.

2

Controle a postura do adversário

Use as mãos e o braço para manter a cabeça do adversário baixa e próxima do seu corpo, evitando que ele recue e crie distância antes de você posicionar a canela.

3

Libere o pé para a garganta

Com a perna já travada atrás da cabeça dele, gire o quadril e traga o pé para a frente, posicionando a canela diretamente contra a garganta do adversário.

4

Prenda o pé atrás da cabeça

Cruze o pé para trás da cabeça do adversário, travando a posição com as mãos entrelaçadas ou segurando o próprio tornozelo, formando o laço completo do Gogoplata.

5

Puxe a cabeça contra a canela

Use as mãos para puxar a cabeça do adversário na direção da sua canela, aumentando a compressão contra a garganta.

6

Ajuste o ângulo do quadril

Pequenos ajustes no ângulo do próprio quadril e joelho costumam ser decisivos para encontrar o ponto exato de compressão na traqueia, sem depender só da força dos braços.

7

Finalize com paciência

Mantenha a pressão constante até o adversário bater ou a resistência ceder, estando pronto para reajustar o ângulo caso ele tente girar a cabeça para aliviar a compressão.

Erros comuns

  • Tentar o Gogoplata sem antes ter construído uma base sólida de guarda rubber, resultando em uma posição de perna instável e fácil de neutralizar.
  • Forçar a flexibilidade de quadril além do próprio limite físico, arriscando lesão na virilha ou no próprio joelho antes mesmo de o adversário reagir.
  • Posicionar a canela sobre o queixo em vez da garganta, o que reduz drasticamente a compressão real da via aérea.
  • Perder o controle da postura do adversário durante o ajuste do pé, permitindo que ele recue e desfaça toda a posição.
  • Insistir na finalização mesmo sentindo dor aguda na própria virilha ou quadril, em vez de soltar a posição a tempo.

Segurança

O Gogoplata comprime a via aérea diretamente e pode levar à perda de consciência rapidamente, muitas vezes sem dor de aviso clara para quem defende — bata (tap) IMEDIATAMENTE ao sentir a canela fechar contra a garganta. Para quem aplica, o maior risco não é o estrangulamento em si, mas a exigência extrema de flexibilidade de quadril e virilha: nunca force essa posição além do seu limite atual de mobilidade, e invista em alongamento específico antes de tentar a técnica em ritmo de treino livre. Pratique as entradas devagar, de preferência já com alguma base de guarda rubber, e sempre sob supervisão de um professor qualificado — nunca tente o Gogoplata pela primeira vez sem orientação direta.

Encadeamentos

O Gogoplata nasce quase sempre de dentro da guarda rubber, sistema que também dá origem a outras finalizações de controle alto, e por isso costuma aparecer combinado com ameaças de Omoplata durante a mesma sequência de guarda, já que os dois exploram o mesmo controle inicial de ombro e cabeça do adversário. A base de flexibilidade e controle de quadril exigida pelo Gogoplata também dialoga com o jogo de Guarda Aranha, útil para quem quer desenvolver a mobilidade necessária antes de investir na técnica mais avançada. Quando a posição de guarda rubber não fecha completamente, muitos atletas recuam para um Triângulo da Guarda tradicional, aproveitando o mesmo ângulo de exposição do pescoço e do braço do adversário. Do lado defensivo, dominar a Defesa de Omoplata (Rolar pra Tirar a Pressão) e o Ghost Escape (Fuga Fantasma) ajuda bastante a neutralizar toda a família de ataques que nasce da guarda rubber antes mesmo de o Gogoplata se formar.

Perguntas Frequentes

O Gogoplata é o mesmo que a guarda rubber?

Não — a guarda rubber é o sistema de guarda criado por Eddie Bravo que organiza uma série de posições de controle alto sobre a cabeça e o pescoço do adversário. O Gogoplata é uma das finalizações que nascem de dentro desse sistema, não o sistema em si.

Por que o Gogoplata é tão raro em competição?

Porque exige uma combinação incomum de flexibilidade extrema de quadril e virilha com anos de trabalho específico de guarda rubber — poucos atletas desenvolvem essa mobilidade a ponto de aplicar a técnica com segurança e consistência em competição de alto nível.

Quem popularizou o Gogoplata no MMA?

O momento mais lembrado foi a finalização de Nick Diaz sobre Takanori Gomi em 2005, num evento do PRIDE no Japão — uma das exibições mais famosas da técnica em competição de alto nível, que ajudou a torná-la conhecida além dos círculos mais fechados do Jiu-Jitsu.

Preciso ter flexibilidade excepcional para tentar o Gogoplata?

Sim, é praticamente um pré-requisito. Sem mobilidade de quadril e virilha bem acima da média, a posição necessária para levar o pé até atrás da cabeça do adversário simplesmente não é alcançável com segurança.

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Autor

Redação BJJLF

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Revisor

Sergio Malibu

Faixa Coral 8º Grau — Fundador

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