Encyclopedia of Jiu-Jitsu

Leg Locks by Belt: Complete Rules in Gi and No-Gi

No other submission family in Jiu-Jitsu has rules as detailed as leg locks. The straight ankle lock is allowed from white belt; kneebar and toe hold only at brown belt; and the knee reap and heel hook depend not just on belt level but also whether competing in gi or no-gi. Understand the complete rules, belt by belt and format by format—and why this is the most strictly controlled submission family in the rulebook.

By Redação BJJLF Reviewed by Caio Alexandre dos Santos Côrtes, Faixa Preta 6º Grau — Fundador Reviewed on 20/09/2026 IBJJF Rules — edição vigente 2026 6 min read

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Chave de pé reta: a única liberada desde a faixa branca

A chave de pé reta (straight ankle lock, ou "botinha", no jargão do tatame brasileiro) é a única chave de perna liberada já para adultos de faixa branca, tanto no Gi quanto no No-Gi. Ela usa força linear — puxar o antebraço contra o tendão de Aquiles enquanto o quadril empurra em linha reta — sem nenhum componente de torção sobre o joelho, o que a torna, na leitura da IBJJF, uma técnica com risco controlável mesmo para quem está começando a competir. Há uma exigência específica para as faixas branca, azul e roxa: o giro do corpo do atacante precisa ser sempre para fora do joelho do adversário. Girar para dentro, mesmo aplicando "só" uma chave de tornozelo, é considerado infração e pode gerar desclassificação, porque introduz justamente o componente de torção do joelho que a regra tenta evitar nessas faixas. Para o passo a passo completo de aplicação segura, veja o verbete técnico dedicado à chave de pé reta.

Kneebar, toe hold e calf slicer: liberados a partir da faixa marrom

O kneebar (chave de joelho por hiperextensão), o toe hold (torção do pé segurando os dedos) e o calf slicer (compressão da panturrilha contra a própria perna do adversário) entram no repertório permitido apenas a partir da faixa marrom adulta — e, uma vez liberados, valem tanto para competições de Gi quanto de No-Gi, sem distinção de modalidade nesse ponto específico. Essas três técnicas têm em comum o fato de dependerem de alavancas mais complexas do que a chave de pé reta, exigindo do atacante mais precisão para não ultrapassar o ponto de lesão antes que o adversário consiga reagir ou bater.

Para atletas de faixa branca, azul e roxa, aplicar qualquer uma dessas três técnicas em competição é motivo de desclassificação imediata, independentemente da intenção declarada ou do resultado físico da ação — a regra não avalia se houve lesão, apenas se a técnica em si é permitida para aquela graduação.

Reap do joelho e heel hook: a fronteira entre Gi e No-Gi

O reap do joelho ("joelho ceifado", quando a perna do atacante cruza e envolve a perna do adversário gerando pressão de torção lateral sobre o joelho) e o heel hook (torção abrupta do pé que transfere força diretamente para os ligamentos do joelho) formam a categoria mais restrita de toda a matriz de chaves de perna. Mesmo sendo liberadas por faixa a partir de marrom e preta, essas duas técnicas dependem de uma segunda condição para se tornarem legais: a competição precisa ser sem kimono (No-Gi). No Jiu-Jitsu com kimono, tanto o reap quanto o heel hook seguem proibidos mesmo para faixa preta — é a única combinação da matriz em que a faixa mais alta, sozinha, não libera a técnica.

Vale um esclarecimento importante sobre esse ponto: o verbete sobre slam e golpes ilegais já trata do reap de forma geral, descrevendo a liberação por faixa (marrom e preta, com restrições). Este verbete aprofunda a camada que faz toda a diferença na prática: essa liberação para marrom e preta vale integralmente no No-Gi. No Gi, o reap segue fora de alcance mesmo para essas faixas — sendo tratado, nesse aspecto, da mesma forma que o heel hook, que a regra do kimono nunca libera, em nenhuma graduação.

Mesmo em competições No-Gi de faixa marrom ou preta, onde reap e heel hook são tecnicamente legais, o risco de lesão ligamentar continua alto — são, na prática, as duas finalizações de maior potencial de dano em menor tempo de aplicação de toda a matriz de golpes do Jiu-Jitsu. A dor costuma chegar tarde, muitas vezes só depois que o ligamento já cedeu; por isso o hábito de bater cedo, e de soltar ao primeiro sinal de resistência do parceiro em treino, é ainda mais decisivo aqui do que em chaves de braço.

A matriz completa: faixa x modalidade

Chave de perna Branca/Azul/Roxa — Gi Marrom/Preta — Gi Branca/Azul/Roxa — No-Gi Marrom/Preta — No-Gi
Chave de pé reta Permitida (girar p/ fora) Permitida Permitida (girar p/ fora) Permitida
Kneebar / toe hold / calf slicer Proibidos Permitidos Proibidos Permitidos
Reap do joelho Proibido Proibido Proibido Permitido
Heel hook Proibido Proibido Proibido Permitido

Por que a regra separa Gi e No-Gi justamente nessas duas técnicas

A diferença não é arbitrária. No Jiu-Jitsu com kimono, a calça e a manga do adversário oferecem pontos extras de agarre que dificultam a leitura exata do ângulo do joelho durante uma disputa de pernas — o que aumenta o risco de uma torção passar do ponto seguro antes que o árbitro ou o próprio atacante percebam. No No-Gi, sem tecido para segurar, o controle de perna tende a ser mais "limpo" tecnicamente, e a base de atletas que competem em faixas altas nessa modalidade normalmente já vem de um volume grande de treino específico de leg locks — parte do motivo pelo qual o jogo de pernas moderno se popularizou primeiro em ambientes sem kimono, antes de influenciar o Jiu-Jitsu com gi.

Erros comuns

  • Achar que, por ser faixa preta, o reap e o heel hook estão liberados também no Gi — não estão; a liberação dessas duas técnicas depende da modalidade, não só da faixa.
  • Confundir a posição de 50/50 (permitida para todas as faixas) com a permissão para aplicar reap dentro dela — a posição em si é legal, mas a torção do joelho continua seguindo a regra por faixa e modalidade.
  • Treinar reap e heel hook livremente no Gi achando que "é só treino" — a mesma lógica de segurança da competição vale para o tatame do dia a dia, especialmente com parceiros de faixas mais baixas.
  • Aplicar kneebar ou toe hold em faixa roxa achando que a liberação já valeria "quase lá" para quem está perto de trocar de faixa.
  • Esquecer que a exigência de girar para fora do joelho na chave de pé reta vale até a faixa roxa — um giro para dentro pode ser lido como infração mesmo numa finalização tecnicamente "básica".

Exemplo prático

Um atleta faixa marrom disputa uma competição de kimono e, durante uma troca de 50/50, aplica um reap de joelho seguido de heel hook. Mesmo sendo faixa marrom — graduação que já libera essas técnicas no No-Gi — a ação é ilegal porque a competição é de Gi. O mesmo atleta, na mesma faixa, numa competição No-Gi, poderia aplicar a mesma sequência legalmente.

Frequently Asked Questions

A partir de que faixa o reap do joelho é permitido?

A partir da faixa marrom adulta — mas apenas em competições No-Gi. No Jiu-Jitsu com kimono, o reap segue proibido mesmo para faixa marrom e preta.

Heel hook é liberado para faixa preta que compete de kimono?

Não. O heel hook só é legal em competições sem kimono (No-Gi), independentemente da faixa. No Gi, permanece proibido para todas as graduações, incluindo faixa preta.

Kneebar e toe hold também dependem de ser Gi ou No-Gi?

Não nesse ponto: essas duas técnicas (junto com o calf slicer) são liberadas a partir da faixa marrom tanto no Gi quanto no No-Gi, sem distinção de modalidade — a diferença de Gi/No-Gi se aplica especificamente ao reap do joelho e ao heel hook.

Por que a chave de pé reta é a única chave de perna liberada para faixa branca?

Porque depende de força linear, sem componente de torção sobre o joelho, o que a regra considera um risco administrável mesmo para atletas no início da competição — desde que o atacante gire sempre para fora do joelho do adversário nas faixas branca, azul e roxa.

Sources

  1. [1] IBJJF Rule Book — regulamento oficial de chaves de perna por faixa e modalidade — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (access on 19/07/2026)
  2. [2] IBJJF Help Desk — Rules (referência de regras oficiais) — IBJJF — International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (access on 19/07/2026)
  3. [3] Which Leglocks Are Allowed in IBJJF Competition? — regra por faixa e por modalidade — Grapplearts (access on 19/07/2026)
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Redação BJJLF

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Caio Alexandre dos Santos Côrtes

Faixa Preta 6º Grau — Fundador

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